Era uma menina pobre como todos os meninos daquela aldeia do Nordeste Transmontano.
Não pedia bonecas porque ela própria as fazia de trapos.
Para dizer a verdade não conhecia outras!...
Era feliz com as riquezas que tinha, aquela menina.
Na sua aldeia não havia Pai Natal, nem publicidade, nem prendas, nem correrias!...
Havia solidariedade, amor, fraternidade.
Havia um Menino Jesus pequenino, aquele que beijava na Missa do Galo.
Era esse Menino que lhe deixava no sapatinho, junto à lareira, o saquinho com figos secos, amêndoas, rebuçados e às vezes, uma moeda de dez ou vinte e cinco tostões.
Como é possível que aquele Menino desça a todas as lareiras, sem se sujar na fuligem das paredes?
Como é possível que aquele Menino, quase despido, não morra de frio?
Adormeceu e sonhou com aquele Menino que tinha beijado na Missa do Galo.
Correram juntos pelos telhados à procura duma telha partida por onde pudessem descer até ao sapatinho de todos os meninos.
Acordou cedo no dia de Natal e correu até o sapatinho.
Estava vazio!
Desiludida e achando que o Menino já não gostava dela, uma lágrima deslizou-lhe na sua face rosada.
Reflectindo, depressa percebeu que o Menino se tinha atrasado porque tinham nascido mais meninos naquela aldeia!
Instantes depois, como que por magia, lá estava o saquinho com figos secos, amêndoas, rebuçados e uma moeda de vinte e cinco tostões!...
Acerca de mim
- Adelaide Monteiro
- Sintra/Miranda do Douro, Portugal
- Gosto de pintar,de escrever e de fazer trabalhos manuais.Sou simples e verdadeira. Tenho que pôr paixão naquilo que faço, caso contrário fico com tédio. Ensinar, foi para mim uma paixão; escrever e pintar, continua a sê-lo. Sou sensível e sofro com as injustiças do Mundo. A minha primeira língua foi o Mirandês. Escrevo nessa língua no blog da minha aldeia Especiosa em, http://especiosameuamor.blogspot.com em Cachoneira de Letras de la Speciosa e no Froles mirandesas.
sábado, 21 de março de 2009
O meu Natal
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Adelaide Monteiro
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3/21/2009 10:24:00 da tarde
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Simplesmente Casa
Ó malditos deuses,porque mandais raios que incendeiam as florestas?
Ó fogo que tantas vezes tentaste penetrar nos meus ramos, sem nunca o conseguires, porque insististe?
Ó vento que tantas vezes embalaste os meus rebentos e refrescaste as minhas entranhas, em dias de calor escaldante,porque me traíste?
Os deuses enlouqueceram, o vento aliou-se-lhes, forte, forte, cada vez mais forte! …
Arrastava as labaredas que voavam de árvore para árvore e depressa me atingiram.
É o meu fim, pensei.
Este fogo vai consumir-me e este maldito vento vai arrastar consigo as minhas cinzas para outros lugares distantes, frios, feios, gelados! ...
Não! Não conseguiste!
Comeste as folhas e os meus ramos mais tenros, mataste os passarinhos que abrigava, queimaste-me muitas energias, mas não me tiraste a força de viver.
Os meus troncos e as minhas raízes fortes enfrentaram-te e venceram-te e depressa terei ramos, terei folhas, terei pássaros, terei força, beleza e alegria.Irei morrer de pé, com aquele orgulho que só pode ter uma árvore secular, que abrigou insectos nas folhas, pássaros nos ramos e famílias pobres no tronco que com os pés gretados a sangrar, vagueavam pelo mundo à procura de um abrigo, de um lar.
Famílias que finalmente poderiam descansar, sentindo-se aconchegadas e acarinhadas.
Nunca mais teriam medo dos deuses, do fogo, do vento, de nada! ...
Pela primeira vez achei que poderia descansar e que os meus ramos tenros poderiam murchar.
Pela primeira vez deixei de amaldiçoar os deuses, o fogo e o vento que tantas vezes tentaram roubar-me a vida.
Pela primeira vez achei que poderia ser menos bela, porque nas minhas entranhas tinha amigos que achariam que mantinha o mesmo encanto, porque era solidária e fraterna.
Pela primeira vez achei que em vez de árvore, poderia ser simplesmente casa! ...
Ó fogo que tantas vezes tentaste penetrar nos meus ramos, sem nunca o conseguires, porque insististe?
Ó vento que tantas vezes embalaste os meus rebentos e refrescaste as minhas entranhas, em dias de calor escaldante,porque me traíste?
Os deuses enlouqueceram, o vento aliou-se-lhes, forte, forte, cada vez mais forte! …
Arrastava as labaredas que voavam de árvore para árvore e depressa me atingiram.
É o meu fim, pensei.
Este fogo vai consumir-me e este maldito vento vai arrastar consigo as minhas cinzas para outros lugares distantes, frios, feios, gelados! ...
Não! Não conseguiste!
Comeste as folhas e os meus ramos mais tenros, mataste os passarinhos que abrigava, queimaste-me muitas energias, mas não me tiraste a força de viver.
Os meus troncos e as minhas raízes fortes enfrentaram-te e venceram-te e depressa terei ramos, terei folhas, terei pássaros, terei força, beleza e alegria.Irei morrer de pé, com aquele orgulho que só pode ter uma árvore secular, que abrigou insectos nas folhas, pássaros nos ramos e famílias pobres no tronco que com os pés gretados a sangrar, vagueavam pelo mundo à procura de um abrigo, de um lar.
Famílias que finalmente poderiam descansar, sentindo-se aconchegadas e acarinhadas.
Nunca mais teriam medo dos deuses, do fogo, do vento, de nada! ...
Pela primeira vez achei que poderia descansar e que os meus ramos tenros poderiam murchar.
Pela primeira vez deixei de amaldiçoar os deuses, o fogo e o vento que tantas vezes tentaram roubar-me a vida.
Pela primeira vez achei que poderia ser menos bela, porque nas minhas entranhas tinha amigos que achariam que mantinha o mesmo encanto, porque era solidária e fraterna.
Pela primeira vez achei que em vez de árvore, poderia ser simplesmente casa! ...
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3/21/2009 10:11:00 da tarde
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Preciso de Ti

Preciso dos teus silêncios
que às vezes me atormentam
mas que outras me reconfortam.
Preciso do teu olhar vigilante e da tua presença
que me deixa seguir as minhas viagens em sonhos
sem perder o norte, o rumo.
Preciso do espaço que me dás
pela confiança que em mim depositas.
Preciso das tuas mãos desejosas de me beijar
e que me beijam com o que fazes.
Preciso da tua mente sempre presente
para organizar o meu caos.
Preciso do calor do teu corpo
que aquece o meu, nas noites frias.
Preciso da tua calma que equilibre
o meu espírito agitado, irreverente.
Tu és o meu pêndulo, fiel de balança
a minha bússola, termómetro, o meu bálsamo
amargo de giesta ou
inebriante e doce, de jasmim.
Preciso de ti
Em mim
que às vezes me atormentam
mas que outras me reconfortam.
Preciso do teu olhar vigilante e da tua presença
que me deixa seguir as minhas viagens em sonhos
sem perder o norte, o rumo.
Preciso do espaço que me dás
pela confiança que em mim depositas.
Preciso das tuas mãos desejosas de me beijar
e que me beijam com o que fazes.
Preciso da tua mente sempre presente
para organizar o meu caos.
Preciso do calor do teu corpo
que aquece o meu, nas noites frias.
Preciso da tua calma que equilibre
o meu espírito agitado, irreverente.
Tu és o meu pêndulo, fiel de balança
a minha bússola, termómetro, o meu bálsamo
amargo de giesta ou
inebriante e doce, de jasmim.
Preciso de ti
Em mim
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3/21/2009 04:56:00 da tarde
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Há Dias
Há dias em que as minhas palavras se digerem, regurgitam e voltam,
como se não fossem minhas.
Há dias em que a minha alma está de luto
e de luto visto as palavras com lenço e xaile de melancolias.
Há outros dias, em que as minhas palavras são cardumes
que vêm à tona da água para respirar o sol ou a neblina e,
a saltar e de olhares sensuais, me fascinam
e me levam à poesia.
Hoje, o sol aqueceu-me a alma, a luz revigorou-me
e sou capaz de vislumbrar o arco íris
no meio de medonhas tempestades.
Hoje, envolvi as melancolias em tules brancos,
com ramos de rosas silvestres e dou-me em palavras frescas,
bandos de pássaros a cantar, borboletas.
Hoje, pinto e descrevo cenários mágicos de crianças a brincar livremente ,
sem que sejam molestadas, raptadas.
Hoje, ofereço-me em palavras de conforto aos pobres, desempregados, infelizes,
em cujas vidas não há poesia.
Hoje que é dia das palavras ditas, em poesia.
como se não fossem minhas.
Há dias em que a minha alma está de luto
e de luto visto as palavras com lenço e xaile de melancolias.
Há outros dias, em que as minhas palavras são cardumes
que vêm à tona da água para respirar o sol ou a neblina e,
a saltar e de olhares sensuais, me fascinam
e me levam à poesia.
Hoje, o sol aqueceu-me a alma, a luz revigorou-me
e sou capaz de vislumbrar o arco íris
no meio de medonhas tempestades.
Hoje, envolvi as melancolias em tules brancos,
com ramos de rosas silvestres e dou-me em palavras frescas,
bandos de pássaros a cantar, borboletas.
Hoje, pinto e descrevo cenários mágicos de crianças a brincar livremente ,
sem que sejam molestadas, raptadas.
Hoje, ofereço-me em palavras de conforto aos pobres, desempregados, infelizes,
em cujas vidas não há poesia.
Hoje que é dia das palavras ditas, em poesia.
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3/21/2009 04:50:00 da tarde
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3/21/2009 03:06:00 da tarde
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quinta-feira, 19 de março de 2009
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3/19/2009 08:44:00 da tarde
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quarta-feira, 18 de março de 2009
Dedos cativos
Tenho os dedos cativos
Desta alma inquieta
que os leva e me leva
não os deixa ser…
nem nos deixa ter liberdade.
Com a sua cabeça
querem pensar
e usar jóias de rainha
Mas não!
Grávidos de palavras
sofrem de vil moinha
que os inquieta e cativa
os leva e eleva
em papel ou não
Querem cantar liberdade
no refúgio do seu «eu»
para em qualquer idade
serem apenas dedos
Sublevam-se…
Em vão!...
Aprisionados...estão
Desta alma inquieta
que os leva e me leva
não os deixa ser…
nem nos deixa ter liberdade.
Com a sua cabeça
querem pensar
e usar jóias de rainha
Mas não!
Grávidos de palavras
sofrem de vil moinha
que os inquieta e cativa
os leva e eleva
em papel ou não
Querem cantar liberdade
no refúgio do seu «eu»
para em qualquer idade
serem apenas dedos
Sublevam-se…
Em vão!...
Aprisionados...estão
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3/18/2009 02:30:00 da tarde
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Questionando

Acordaste porquê
Se dormias com os teus sonhos
Tão alegres e risonhos
E tão senhora de ti
Não foste beijada, porquê
Se estavas a ser beijada
Por maresia fresca, ao luar
Tão amada e desejada
Se dormias com os teus sonhos
Tão alegres e risonhos
E tão senhora de ti
Não foste beijada, porquê
Se estavas a ser beijada
Por maresia fresca, ao luar
Tão amada e desejada
Por posse distorcida
Foste...
Assim sempre será?
Vais fingir que te foste
Hoje ou outro dia qualquer?
Não, não pode ser...
Tu estavas a ser beijada
Ao luar, pela maresia
Mulher!!...
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3/18/2009 11:24:00 da manhã
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terça-feira, 17 de março de 2009
Dedos Cativos

Tenho os dedos cativos
desta alma inquieta
que os leva e me leva
e não os deixa ser…
nem nos deixa ter
liberdade.
Seres pensantes
querem usar jóias de rainha
desta alma inquieta
que os leva e me leva
e não os deixa ser…
nem nos deixa ter
liberdade.
Seres pensantes
querem usar jóias de rainha
Mas não!
Grávidos de palavras
sofrem de vil moinha
que os agita e cativa
os leva e eleva
em papel ou não
Querem cantar liberdade
no refúgio do seu «eu»
para em qualquer idade
serem apenas dedos
sofrem de vil moinha
que os agita e cativa
os leva e eleva
em papel ou não
Querem cantar liberdade
no refúgio do seu «eu»
para em qualquer idade
serem apenas dedos
Mas não!
Sublevam-se…
em vão!
...Aprisionados...estão
...Aprisionados...estão
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3/17/2009 02:18:00 da tarde
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domingo, 15 de março de 2009
Nasce poesia
O coração se aperta e a dor o sufoca
Se qualquer coisa me abala e me perco na rota
Me gelo no Verão e na noite fria
Em murmúrios ou gritos
Nasce poesia
Se a mulher é humilhada quando passo na rua
E a criança é violada e implora ajuda
A dor corta-me o peito dessa aguarela crua
Ergo-me com força pego a folha vazia
Lanço-me em revolta
Nasce poesia
Se por ser mal amada uma pessoa sofre
Eu passo para mim todo o sofrimento
Ergo a minha voz e com o seu lamento
A minha alma fala o que ela sentia
Em dolorosas palavras
Nasce poesia
Se do peito transbordo a felicidade
Por te ver ó botão a abrir em flor
Se a alegria existe e predomina o amor
E todo o universo vive em harmonia
Canto feliz agradeço
Nasce poesia
Se a planura me encanta mesclada de flores
Malmequeres papoilas urzes violetas
Os pássaros voam em enleados amores
E a árvore esvoaça com a ventania
Persigo borboletas
Nasce poesia
Se o sol me aquece e a lua me inspira
Em noite estrelada e num dia qualquer
Se vejo num homem alma de mulher
Que a sofrer chora e enfim suspira
Me compreende e me contagia
Eu canto com os dedos
Eu canto com os dedos
Nasce poesia...
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3/15/2009 11:36:00 da manhã
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sábado, 14 de março de 2009
Prolongue-se a noite
Noite...Prolongue-se a noite
A noite estrelada
Mágica
Bela, serena, amada
Onde te sinto
E pressinto
Noite...
Oferece-me as estrelas
Olha para mim!...
Estou de mãos abertas
Para recebê-las
Noite...
Prolongue-se a noite
Prolonguem-se as estrelas
Escuta-me
Em suave lamento
Traz a minha estrela
A mais doce e bela
Do teu firmamento
Brisa...
Leva contigo a quimera
Traz o etéreo aroma
Para eu o sentir
Tal e qual ele era
Noite...
Prolongue-se a noite
Olha para mim!...
Tem que haver mais estrelas
E, estou de mãos abertas
Para recebê-las
Mágica
Bela, serena, amada
Onde te sinto
E pressinto
Noite...
Oferece-me as estrelas
Olha para mim!...
Estou de mãos abertas
Para recebê-las
Noite...
Prolongue-se a noite
Prolonguem-se as estrelas
Escuta-me
Em suave lamento
Traz a minha estrela
A mais doce e bela
Do teu firmamento
Brisa...
Leva contigo a quimera
Traz o etéreo aroma
Para eu o sentir
Tal e qual ele era
Noite...
Prolongue-se a noite
Olha para mim!...
Tem que haver mais estrelas
E, estou de mãos abertas
Para recebê-las
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3/14/2009 10:54:00 da manhã
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sexta-feira, 13 de março de 2009
Mudam de cor, se preciso for

Deslumbrou-se na escalada
para subir mais alto
Na recta da ganância
E cego de poder despistou-se
E derrapou no asfalto
De honestidade perdida
E de alma impura
Segue a velocidade excessiva
O que ele era
(será que foi?)
Ficou em rua sem saída
Os ideais que defendeu
Selou-os em tumba
De pedra enegrecida
Poderoso…
Compra silêncios
Para negociatas
Move influências
Compra mentiras
Prova Inocências.
Muda de cor
Se preciso for…
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3/13/2009 12:23:00 da manhã
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quinta-feira, 12 de março de 2009
Flor Fonte
Tu és beija florDe voo intenso
Eu sou flor
De jardim imenso
Vem!...
Vem planar no meu jardim
Deserto dourado escaldante
E rega-o com o teu oceano
De maré transbordante
A flor estonteada
Com o voo permanente
Tão hábil e eloquente
Será a tua amada
Nela crescerá vida
Suave guarida
Oásis sem fim
A flor será fonte
E a fonte será flor
Cândida de vida
Repleta de amor
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3/12/2009 11:20:00 da manhã
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quarta-feira, 11 de março de 2009
Procura-me

Dou-me como se dá o rio ao mar
em tumultuosas tempestades
Dou-me como se dá o vento às folhas das camélias
em suaves afagos
Dou-me como se dá a lua às estrelas
em pestanejar insinuante
Dou-me como se dá a flor ao beija flor inconstante
em doce néctar
Dou-me na insegurança de certas verdades
que me confundem
Dou-me nas palavras que me exiges
e que não me balbucias
Encontro-me no silêncio da noite escura
à espera de te encontrar
Encontro-me em encruzilhada labiríntica
duma teia tecida com fio resistente
que me desorienta
Procuro uma bússola
que mostre o caminho que me leve a ti
em tumultuosas tempestades
Dou-me como se dá o vento às folhas das camélias
em suaves afagos
Dou-me como se dá a lua às estrelas
em pestanejar insinuante
Dou-me como se dá a flor ao beija flor inconstante
em doce néctar
Dou-me na insegurança de certas verdades
que me confundem
Dou-me nas palavras que me exiges
e que não me balbucias
Encontro-me no silêncio da noite escura
à espera de te encontrar
Encontro-me em encruzilhada labiríntica
duma teia tecida com fio resistente
que me desorienta
Procuro uma bússola
que mostre o caminho que me leve a ti
neste universo confuso
Procuro um farol que me faça encontrar
Procuro um farol que me faça encontrar
o caminho liso
e orlado de jasmim
Pois tu não vês
que os meus olhos são duas fontes de água cristalina
que não vislumbram na penumbra
Pois tu não vês
que o meu coração e a minha alma são canoas
que não navegam em água turva
Procura-me…
e orlado de jasmim
Pois tu não vês
que os meus olhos são duas fontes de água cristalina
que não vislumbram na penumbra
Pois tu não vês
que o meu coração e a minha alma são canoas
que não navegam em água turva
Procura-me…
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3/11/2009 05:31:00 da tarde
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Neste Mundo...

O povo vive faminto
E não consegue aforrar
O pouco que tem é gasto
Para mal se alimentar
Quem consegue, vive inquieto
Para guardar seu suor
Venham venham, diz o Banco
Venham o dinheiro aqui pôr.
Na ânsia de mais ganhar
Vende-lhe gato por lebre
O povo fica a chupar
No dedo cheio de febre
Cheio de febre e de raiva
Por tanto ter sido enganado
Ele mirrado, os outros gordos…
Neste mundo malfadado
Mas então o que fazer?
Pergunta-se com razão
Notas afundadas na crise
Ao ouro vem o ladrão
Até que por fim se decide
O que fazer então
O ouro põ-se no cofre
O dinheiro no colchão…
E depois? Mas que maçada!...
Dá logo para pensar
O ouro desvaloriza
E as notas irão mudar...
Pensando melhor eu decido
Em irreflectidas miragens
Derreto o ouro e as notas
E não consegue aforrar
O pouco que tem é gasto
Para mal se alimentar
Quem consegue, vive inquieto
Para guardar seu suor
Venham venham, diz o Banco
Venham o dinheiro aqui pôr.
Na ânsia de mais ganhar
Vende-lhe gato por lebre
O povo fica a chupar
No dedo cheio de febre
Cheio de febre e de raiva
Por tanto ter sido enganado
Ele mirrado, os outros gordos…
Neste mundo malfadado
Mas então o que fazer?
Pergunta-se com razão
Notas afundadas na crise
Ao ouro vem o ladrão
Até que por fim se decide
O que fazer então
O ouro põ-se no cofre
O dinheiro no colchão…
E depois? Mas que maçada!...
Dá logo para pensar
O ouro desvaloriza
E as notas irão mudar...
Pensando melhor eu decido
Em irreflectidas miragens
Derreto o ouro e as notas
Em cultura, em viagens
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3/11/2009 01:21:00 da tarde
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segunda-feira, 9 de março de 2009
Porquê, ó mar?

Olho-te...
E vejo-te de nuvens negras
Que me impedem
De ver a luz do teu olhar
Que me assustam me sufocam
Me mostram papões
E não me deixam navegar
Porquê que há dias
Em que tens águas transparentes
Em que a brisa é perfumada
E os teus monstros inocentes?
Como golfinho salto as tuas vagas
Mato a sede, sorvo o teu sal
Respiro o teu perfume
E com olhar ausente
Me perco no horizonte.
Sentada
Partilho contigo os meus segredos
E depois apaixonada
Viajo em ti, ó mar!...
Porquê que hoje
Te vejo de águas turvas
Me sinto triste, mal amada
E os teus polvos gigantes me prendem
Me asfixiam e dominada
Me lançam contra os rochedos
E me matam?
Porquê, ó mar?!...
A quem contei meus segredos!...
O mesmos rochedos
O mesmo jornal
O mesmo mar!...
E vejo-te de nuvens negras
Que me impedem
De ver a luz do teu olhar
Que me assustam me sufocam
Me mostram papões
E não me deixam navegar
Porquê que há dias
Em que tens águas transparentes
Em que a brisa é perfumada
E os teus monstros inocentes?
Como golfinho salto as tuas vagas
Mato a sede, sorvo o teu sal
Respiro o teu perfume
E com olhar ausente
Me perco no horizonte.
Sentada
Partilho contigo os meus segredos
E depois apaixonada
Viajo em ti, ó mar!...
Porquê que hoje
Te vejo de águas turvas
Me sinto triste, mal amada
E os teus polvos gigantes me prendem
Me asfixiam e dominada
Me lançam contra os rochedos
E me matam?
Porquê, ó mar?!...
A quem contei meus segredos!...
O mesmos rochedos
O mesmo jornal
O mesmo mar!...
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quinta-feira, 5 de março de 2009
Eu que sou Mulher
Fui feita por acasoSobrevivi por acaso
Nasci de um rompante rude e destemido
Rasguei as entranhas aos montes onde mamei pão amargo
Atravessei rios com os pés descalços e saí em gelados gemidos
Fui castrada por uma sociedade insana e cortei as amarras
Reconstitui-me, juntei as peças roubadas
E … aqui estou eu!...
Eu que sou mulher de tudo e de nadas!...
Vivo neste Cosmos estirada por forças opostas
Que me distendem os tendões e músculos
Uma parte de mim é Terra, regida por Marte
Que me prende ao chão
Outra parte é Vénus e Lua
Que me desprende
Liberta e me lança em sonhos
E… aqui estou eu!...
Eu que sou mulher de tudo e de nadas!...
Com dedos de pincéis e teclas
Corto as amarras do chão
Liberto os meus pés sangrentos
E sou mulher, sou sonho e criança
Elevo-me e a levitar
Abraço Vénus e a Lua
Deixo Marte a descansar
Nas estrelas escrevo poemas
E nas nuvens pinto o mar
E… aqui estou eu!...
Eu que sou mulher de tudo e de nadas!...
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3/05/2009 08:35:00 da tarde
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segunda-feira, 2 de março de 2009
Tirem-me daqui
Quando olho para trásE vejo as montanhas que trepei
As escarpas que escalei
Os vales que percorri
O que aprendi e ensinei
Quando olho para trás
E vejo os amigos que conquistei
As paixões que senti
Em batalhas que travei
Nos caminhos que percorri
Quando olho para trás
E vejo as terras que semeei
Os saberes que transmiti
Que em heras bravas fixei
E os frutos sãos que colhi
Quando olho...
Sinto-me moribunda
Grito e imploro...
Tirem-me daqui!...
A terra que me dão é infecunda
A norma aplicada é insana
E a semente não germina
E eu...semeando...
Choro de dor...
E digo gritando
Tirem-me daqui
Por favor!...
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domingo, 1 de março de 2009
Sons e Imagens do Silêncio

Olho…
Mas não vejo
Libertei-me
Voei com asas de anjo, leve e celestial
Em pensamento sou levada por uma brisa
E quero seguir uma andorinha que deixou o meu beiral
Com as asas de sonho, elevo-me… mais leve
Já cansada, a ave pára num rochedo, no mar de calmaria
Plano, endireito as pernas e paro com ela também
Diz-me:
Respira fundo, mas em surdina!
Ouve o som leve do mar que nos quer falar com o silêncio.
Vai longe, em sonhos de menina!
Sabes:
Há momentos em que nos devemos calar
E deixar o nosso coração falar em surdina
Não há palavras para um sentimento ímpar
Fecha os olhos, ouve o sussurro do mar, olha o horizonte
E o reflexo do sol nas águas cristalinas
Lindo!... Exclamei!
Olhei e vi aquela planície de águas verdes com reflexos dourados
Daquele sol quente com que me bronzeei
Cheirei a maresia que a brisa em salva, me oferecia
E regressei ao tempo, a ti e amei
Leva-me mais longe, andorinha do meu beiral!
Quero sobrevoar o deserto escaldante
Revirar-me nas dunas, em rebolar extasiante
Não, não podes ir!
Pois tu não vês que as tuas asas
São de espuma de mar e de quimeras?
E voltei…!
À realidade que por instantes deixei
Em silêncio, sonhei!...
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Adelaide Monteiro
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3/01/2009 02:38:00 da tarde
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sábado, 28 de fevereiro de 2009
Lua

Lua sensual
Que tímida surges
A Vénus seduzes
Ao entardecer
Em volúpias celestiais
O abraças e beijas
Tu, lua mulher
Lua indiscreta
Feitiço dos namorados
Que tímida surges
A Vénus seduzes
Ao entardecer
Em volúpias celestiais
O abraças e beijas
Tu, lua mulher
Lua indiscreta
Feitiço dos namorados
Que iluminados
E mais enleados
Se entregam
Em juras de amor
Lua solidária
Com os infelizes
Que vagueiam
Em escuridão
E tu lua amiga
Guias seus passos
Com dedicação
Lua mágica
Que vais e que vens
E com incerteza
Num truque perfeito
Reapareces
Renascida cresces
Influencias marés e natureza
Lua musa
Inspiração dos poetas
Que noite e dia te anelam
E mais enleados
Se entregam
Em juras de amor
Lua solidária
Com os infelizes
Que vagueiam
Em escuridão
E tu lua amiga
Guias seus passos
Com dedicação
Lua mágica
Que vais e que vens
E com incerteza
Num truque perfeito
Reapareces
Renascida cresces
Influencias marés e natureza
Lua musa
Inspiração dos poetas
Que noite e dia te anelam
De alma e coração
E nas tuas crateras
E vales delicados
Procuram coitados, inspiração
E nas tuas crateras
E vales delicados
Procuram coitados, inspiração
Publicada por
Adelaide Monteiro
à(s)
2/28/2009 09:27:00 da tarde
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