Acerca de mim

A minha foto
Sintra/Miranda do Douro, Portugal
Gosto de pintar,de escrever e de fazer trabalhos manuais.Sou simples e verdadeira. Tenho que pôr paixão naquilo que faço, caso contrário fico com tédio. Ensinar, foi para mim uma paixão; escrever e pintar, continua a sê-lo. Sou sensível e sofro com as injustiças do Mundo. A minha primeira língua foi o Mirandês. Escrevo nessa língua no blog da minha aldeia Especiosa em, http://especiosameuamor.blogspot.com em Cachoneira de Letras de la Speciosa e no Froles mirandesas.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Sabe sim!

Caminha descalça
Sobre tojos e rochedos
Enfrentando seus segredos
Nos degredos do seu mundo
Para onde vai?
Sabe lá!

É levada
Pela força do vento
E atirada contra tormentos
É desfeita em desalentos
Espalhada por rios secos
Nos desertos do seu mundo
Para onde foi?
Sabe lá!

Mas eis que junta os pedaços
Do mundo que a substima
Ergue-se, não desanima
Pega o vento de feição
No outono da sua vida
De onde vem?
Sabe lá!
Para onde vai, sabe sim!

Que importa??!!!

Faço um poema sem rima
Faço um poema rimado
Que importa se rima ou não rima
Que importa se atina
Ou não atina com a vida que lhe dão!
Faço uma peça onde não há ovação
Que importa se faço ou não!

Faço-me à vida
De mangas arregaçadas
Pés descalços ou calçados
Que importa se me faço ou não!
Sou peça de museu com pó cristalizado
Sou prenúncio de mal anunciado
Que importa se sou ou não!

domingo, 29 de março de 2009

Pule!...

Só a felicidade impera!
O resto são buracos e desvios...
Pule os obstáculos.

Poema/Dedicatória

Para os alunos da turma de 11º ano de Informática de Gestão


Bem vindos, disse-lhes eu,
Vou ser vossa professora
de OEAG,
disciplina de Gestão.
No início perdi a calma,
depois, o coração.

Irrequietos, faladores,
cá vieram eles parar
a Informática de Gestão,
com o prof. Luís a comandar,
professores em união
e com muito para estudar.

Não estavam habituados,
pensavam que era a brincar
e andavam atrapalhados.
Dizia-lhes eu,
vocês têm que se organizar!...

Lá foram eles crescendo,
com namoricos à mistura;
as meninas emagrecendo,
os rapazes, barba dura.

Cansados, os computadores
para o programa Primavera,
do software de Gestão,
enquanto uns criavam a empresa,
outros alunos à espera
e eu, com irritação.

Para eles eu era “Avózinha,”
esses grandes brincalhões;
quando da pintura e poesia
vieram a saber
passei a ser,
” Setora Multifunções”.

Muito mais teria a referir,
aos futuros programadores,
mas só lhes vou pedir
que sejam honestos
e trabalhadores.

Levo-vos comigo….
Deixo-vos um beijo aqui e agora…
Vocês alunos foram a razão,
da minha paixão,
de ser PROFESSORA…


2009/03/25
Última aula da minha carreira, de 35 anos de docência.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Atraída por ti

Atraída,
admiro-te, cheiro o teu perfume
e deixo-me transportar esquecida,
deitada, aquecida,
nos tapetes bejes e quentes
que me estendes.
Entro com arrepios na tua frescura
abraço-te, sorvo o teu sal,
refresco-me em ti.

Recebes-me nas ondas do teu cabelo
que fortes me desnudam quando louca
submirjo em ti.
Olhas-me como a peixe faminto,
levas-me ao sabor das marés
e eu encantada
pela frescura e prazer que me dás,
deixo-me levar, corpo leve, flutuante,
pleno de prazer e liberdade.

Quando não te tenho,
morro de saudade.
Encosto o búzio ao ouvido
e deixo-me pelos teus sons levar.
Ouço o teu gemido
e depois, morta de saudade,
vou-te visitar, ó mar.

Encontro-me... mas não!


Sonho
com as lianas frescas trepando árvores,
como quem trepa sonhos.
Sonho
com o calor húmido das tempestades,
a sentir a pele molhada.
Sonho
com as gargalhadas espontâneas
que me saíam do peito
e me alegravam a alma.
Revejo-me
nos filhos que ajudei a ser
e que me eternizam,
com a dureza de diamantes.
Revejo-me
nos jovens que ajudei a crescer
e que me orgulha o seu saber.
Encontro-me...
no crepúsculo da minha alma
quando me afloram letras em poemas,
perdidos no fundo do meu ser.
Encontro-me
no silêncio das madrugadas
comigo,
vazia de letras e de mim.
Encontro-me
em tortuosas encruzilhadas
deste mundo corrupto, impuro
que responde com insultuosas gargalhadas,
às misérias sem fim.
Encontro-me
no fogo cruzado entre povos, continentes;
entre lágrimas, mortes,
fomes, choros inocentes.

Encontro-me…
E não me quero encontrar, assim!...

quinta-feira, 26 de março de 2009

Hoje, meu amor

Hoje, meu amor
quero amar-te
com o olhar da lua,
num campo de feno,
orvalho de Agosto
de brisa quente
e eu tua.

Em ziguezagues
quero caminhar,
beber do teu copo
envolto em luar.

Quero girar
com os ponteiros do tempo,
relógio solar
ou noutro sem tempo,
em remoinhos amar.

Quero ficar
nesse relógio
de ponteiros presos,
de badaladas surdas,
quero ir e voltar.

terça-feira, 24 de março de 2009

o Inverno ( divagações ligeiras)

Quando pensamos no Inverno, não podemos pensar necessariamente em tristeza, frio, vento a uivar a noite inteira.
Pois não é no Inverno que os corpos mais se aninham, mais se respiram,
envoltos no cobertor ou se enroscam ao calor da lareira?

O Inverno não pode ser visto como a estação que se segue ao Outono
de folhagens rubras ou amarelecidas,
nem a que antecede a Primavera, fonte de rebentos frescos e flores coloridas.

O Inverno é o mistério da purificação da terra, através da expurgação de males acumulados enquanto mãe produtora,
extermínio de impestantes, pela acção do frio, regeneradora.

É o perdão ao Outono, pela nudez que lhe provocou arrepios.

Só depois de estar o berço preparado
é que a naturaza dá à luz os filhos,
enchendo os nossos olhos de beleza incontestável,
com o ressurgir de folhas,
flores coloridas,
frutos perfumados.

Ninguém dá elevado valor ao que sempre possui.
Só sentimos a premente falta
quando aquilo que amamos nos fugiu.
Que valor daríamos ao abrir de uma flor,
se essa realidade fizesse parte do cenário habitual?!!...

O Inverno é a reflexão da vida;
não é o sinal de impotência, de inutilidade,
de corpos torpes confinados a quatro paredes.
Este Inverno, também este, terá que preparar a terra
para receber os novos rebentos da Primavera,
através da transmissão dos saberes
e da experiência.

É no Inverno que há o perdão das culpas,
das acusações.
É no Inverno, que os amantes são perfeitos,
através das recordações.

É no Inverno que se deita fora
tudo o que é inútil para o tempo
porque,
de tão inútil,
já não se lhe acha tempo.

Inverno,
Aconchego
Purificação
Saber
Perdão

segunda-feira, 23 de março de 2009

Paixões da Alma

Em corpos
Que não se tocam
Não se conhecem
Almas
Vibrantes se aquecem

E dançam
Um bailado
Em harmonia
Passo acertado
Lento
Apressado
Em sintonia

domingo, 22 de março de 2009

Aquela Praia

…era-lhe tão familiar como lhe eram os filhos que cresceram a brincar naquela praia e a saltar as ondas de um verde transparente. Do mesmo verde eram os montes que com ela formavam uma paisagem de sonho.
Passavam férias por essas bandas e, apesar de haver praias mais próximas, era esta a praia preferida.
O monte foi esventrado e nele embutiram um prédio em socalcos, tal pedra tosca embutida em esmeraldas transparentes. As escarpas imponentes davam uma sensação intimista àquela praia; o acesso era feito por escadas ondulantes, monte abaixo, degraus baixinhos.
Despida de preconceitos tirou a blusa, dobrou-a e com ela forrou a escarpa que lhe serviu de encosto, tendo ficado sentada em harmonia com a natureza.Olhou à volta e foi-lhe difícil reconhecer aquela praia que ela considerava ser de sonho.
As escarpas foram tiradas à praia como um filho é arrancado dos braços da sua mãe. Máquinas gigantes escavaram e destruíram o que de belo havia na praia de Vale de Centeanes. Também difícil foi descer a escadaria, decerto construída por mãos toscas e projectada por mentes insensíveis. Ponderou voltar atrás e retomar mais longe o acesso normal. Voltar atrás não é sinal de fraqueza. Deu conta quando ao fundo, sentiu que as pernas lhe tremiam.
Sentada, desligou a música, tirou os fones, desligou o telemóvel, ficou pronta para ouvir os sons magníficos da natureza e fazer a primeira sessão de bronzeado, de certa forma imprudente pelo esquecimento do protector solar.
Fechou os olhos e em estado como que de ausência hipnótica ali ficou virada para o sol.
Fortes ondas vinham rebentar com força junto ao areal e por vezes contra as rochas. Estes sons induziram o estado de quase inconsciência. Era como se fosse uma morte prematura daquele corpo que ficou desligado do mundo e do espírito.
A mente tentava construir um puzzle.
No fundo, com laivos de azul cobalto de mar, as peças encaixaram rapidamente e na perfeição. Já as restantes, monocromáticas, inviabilizaram a construção perfeita. Sobravam umas peças, faltavam outras. As arestas não encaixavam, tais fragmentos de vidas que não combinam e qualquer peça que não encaixe, provoca um oco, um vazio, capaz de conduzir a uma tempestade. Pensou cortá-las, como se de uma árvore se tratasse. A árvore rejubila de frescura, as peças não; a árvore cicatriza a ferida, as peças não. As arestas aguçadas vão-se agredindo mas quando amputadas morrem, morrendo com elas o verdadeiro sentido da sua existência, do seu ser.
Sentiu ardor nos seios pelo efeito do sol.
A mente juntou-se ao corpo, saindo do coma induzido pelos sons do mar.
Abriu os olhos, olhou em frente.
O puzzle estava completo de um azul celeste intenso e brilhante com o sol a aproximar-se da linha do horizonte.

sábado, 21 de março de 2009

O meu Natal

Era uma menina pobre como todos os meninos daquela aldeia do Nordeste Transmontano.
Não pedia bonecas porque ela própria as fazia de trapos.
Para dizer a verdade não conhecia outras!...
Era feliz com as riquezas que tinha, aquela menina.
Na sua aldeia não havia Pai Natal, nem publicidade, nem prendas, nem correrias!...
Havia solidariedade, amor, fraternidade.
Havia um Menino Jesus pequenino, aquele que beijava na Missa do Galo.
Era esse Menino que lhe deixava no sapatinho, junto à lareira, o saquinho com figos secos, amêndoas, rebuçados e às vezes, uma moeda de dez ou vinte e cinco tostões.
Como é possível que aquele Menino desça a todas as lareiras, sem se sujar na fuligem das paredes?
Como é possível que aquele Menino, quase despido, não morra de frio?

Adormeceu e sonhou com aquele Menino que tinha beijado na Missa do Galo.
Correram juntos pelos telhados à procura duma telha partida por onde pudessem descer até ao sapatinho de todos os meninos.
Acordou cedo no dia de Natal e correu até o sapatinho.
Estava vazio!
Desiludida e achando que o Menino já não gostava dela, uma lágrima deslizou-lhe na sua face rosada.
Reflectindo, depressa percebeu que o Menino se tinha atrasado porque tinham nascido mais meninos naquela aldeia!
Instantes depois, como que por magia, lá estava o saquinho com figos secos, amêndoas, rebuçados e uma moeda de vinte e cinco tostões!...

Simplesmente Casa

Ó malditos deuses,porque mandais raios que incendeiam as florestas?
Ó fogo que tantas vezes tentaste penetrar nos meus ramos, sem nunca o conseguires, porque insististe?
Ó vento que tantas vezes embalaste os meus rebentos e refrescaste as minhas entranhas, em dias de calor escaldante,porque me traíste?

Os deuses enlouqueceram, o vento aliou-se-lhes, forte, forte, cada vez mais forte! …
Arrastava as labaredas que voavam de árvore para árvore e depressa me atingiram.
É o meu fim, pensei.
Este fogo vai consumir-me e este maldito vento vai arrastar consigo as minhas cinzas para outros lugares distantes, frios, feios, gelados! ...

Não! Não conseguiste!
Comeste as folhas e os meus ramos mais tenros, mataste os passarinhos que abrigava, queimaste-me muitas energias, mas não me tiraste a força de viver.
Os meus troncos e as minhas raízes fortes enfrentaram-te e venceram-te e depressa terei ramos, terei folhas, terei pássaros, terei força, beleza e alegria.Irei morrer de pé, com aquele orgulho que só pode ter uma árvore secular, que abrigou insectos nas folhas, pássaros nos ramos e famílias pobres no tronco que com os pés gretados a sangrar, vagueavam pelo mundo à procura de um abrigo, de um lar.
Famílias que finalmente poderiam descansar, sentindo-se aconchegadas e acarinhadas.
Nunca mais teriam medo dos deuses, do fogo, do vento, de nada! ...

Pela primeira vez achei que poderia descansar e que os meus ramos tenros poderiam murchar.
Pela primeira vez deixei de amaldiçoar os deuses, o fogo e o vento que tantas vezes tentaram roubar-me a vida.
Pela primeira vez achei que poderia ser menos bela, porque nas minhas entranhas tinha amigos que achariam que mantinha o mesmo encanto, porque era solidária e fraterna.
Pela primeira vez achei que em vez de árvore, poderia ser simplesmente casa! ...

Preciso de Ti


Preciso dos teus silêncios
que às vezes me atormentam
mas que outras me reconfortam.

Preciso do teu olhar vigilante e da tua presença
que me deixa seguir as minhas viagens em sonhos
sem perder o norte, o rumo.

Preciso do espaço que me dás
pela confiança que em mim depositas.

Preciso das tuas mãos desejosas de me beijar
e que me beijam com o que fazes.

Preciso da tua mente sempre presente
para organizar o meu caos.

Preciso do calor do teu corpo
que aquece o meu, nas noites frias.

Preciso da tua calma que equilibre
o meu espírito agitado, irreverente.

Tu és o meu pêndulo, fiel de balança
a minha bússola, termómetro, o meu bálsamo
amargo de giesta ou
inebriante e doce, de jasmim.

Preciso de ti
Em mim

Há Dias

Há dias em que as minhas palavras se digerem, regurgitam e voltam,
como se não fossem minhas.

Há dias em que a minha alma está de luto
e de luto visto as palavras com lenço e xaile de melancolias.

Há outros dias, em que as minhas palavras são cardumes
que vêm à tona da água para respirar o sol ou a neblina e,
a saltar e de olhares sensuais, me fascinam
e me levam à poesia.

Hoje, o sol aqueceu-me a alma, a luz revigorou-me
e sou capaz de vislumbrar o arco íris
no meio de medonhas tempestades.

Hoje, envolvi as melancolias em tules brancos,
com ramos de rosas silvestres e dou-me em palavras frescas,
bandos de pássaros a cantar, borboletas.

Hoje, pinto e descrevo cenários mágicos de crianças a brincar livremente ,
sem que sejam molestadas, raptadas.

Hoje, ofereço-me em palavras de conforto aos pobres, desempregados, infelizes,
em cujas vidas não há poesia.

Hoje que é dia das palavras ditas, em poesia.

quinta-feira, 19 de março de 2009

quarta-feira, 18 de março de 2009

Dedos cativos

Tenho os dedos cativos
Desta alma inquieta
que os leva e me leva
não os deixa ser…
nem nos deixa ter liberdade.

Com a sua cabeça
querem pensar
e usar jóias de rainha

Mas não!
Grávidos de palavras
sofrem de vil moinha
que os inquieta e cativa
os leva e eleva
em papel ou não

Querem cantar liberdade
no refúgio do seu «eu»
para em qualquer idade
serem apenas dedos

Sublevam-se…
Em vão!...
Aprisionados...estão

Questionando


Acordaste porquê
Se dormias com os teus sonhos
Tão alegres e risonhos
E tão senhora de ti

Não foste beijada, porquê
Se estavas a ser beijada
Por maresia fresca, ao luar
Tão amada e desejada

Por posse distorcida
Foste...
Assim sempre será?
Vais fingir que te foste
Hoje ou outro dia qualquer?
Não, não pode ser...
Tu estavas a ser beijada
Ao luar, pela maresia
Mulher!!...

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