Procurei-te por todo o lado, bom senso
Mas não fui capaz de te encontrar
O bom senso anda perdido, esquecido
Por pouco, o bom senso imperar
Faz-se aquilo que vem à cabeça
Sem nunca o bom senso aplicar
Neste mundo de faz e desfaz
Passa-se o tempo a remendar
Diz-se tudo o que vem à cabeça
Depois diz-se que não se disse
Diz-se que a intenção não era essa
Em conversa fiada de idiotice
É urgente encontrar o bom senso
Para as nossas vidas, para o mundo inteiro
E neste comércio de favores vendidos
O bom senso vendeu-se por muito dinheiro
Acerca de mim
- Adelaide Monteiro
- Sintra/Miranda do Douro, Portugal
- Gosto de pintar,de escrever e de fazer trabalhos manuais.Sou simples e verdadeira. Tenho que pôr paixão naquilo que faço, caso contrário fico com tédio. Ensinar, foi para mim uma paixão; escrever e pintar, continua a sê-lo. Sou sensível e sofro com as injustiças do Mundo. A minha primeira língua foi o Mirandês. Escrevo nessa língua no blog da minha aldeia Especiosa em, http://especiosameuamor.blogspot.com em Cachoneira de Letras de la Speciosa e no Froles mirandesas.
terça-feira, 9 de junho de 2009
O bom senso
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Adelaide Monteiro
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6/09/2009 03:24:00 da tarde
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
Contigo música
Percorres-me o corpo, fazes-me vibrar
Música de som forte, suave e leve,
Te sinto e me sentes nos poros da pele
Me percorres em ondas, fazes-me sonhar.
Dás-me o compasso para a minha dança
De ritmos frenéticos e suores quentes
De abraços apertados, de beijos ardentes
Em ti música comungo, em perfeita aliança.
Fazes-me levitar, percorres-me a alma
E contigo música, eu parto em viagem
Perseguindo um sonho, perfeita miragem
Que me enternece, aquece e acalma.
Contigo música, eu sou mulher, sou criança
De alma e corpo leve, perfeita união
De ternura, candura, loucura, paixão,
Realidade, magia, amor, confiança.
Música de som forte, suave e leve,
Te sinto e me sentes nos poros da pele
Me percorres em ondas, fazes-me sonhar.
Dás-me o compasso para a minha dança
De ritmos frenéticos e suores quentes
De abraços apertados, de beijos ardentes
Em ti música comungo, em perfeita aliança.
Fazes-me levitar, percorres-me a alma
E contigo música, eu parto em viagem
Perseguindo um sonho, perfeita miragem
Que me enternece, aquece e acalma.
Contigo música, eu sou mulher, sou criança
De alma e corpo leve, perfeita união
De ternura, candura, loucura, paixão,
Realidade, magia, amor, confiança.
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Adelaide Monteiro
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6/08/2009 06:47:00 da tarde
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Rouxinóis cantantes
Às vezes o rouxinol do jardim canta uma melodia mais triste.
Ou será que a tristeza está em mim e não na melodia do rouxinol? De uma forma ou de outra, hoje acordou-me muito cedo com a melodia.
Cantava sozinho e aquela música entrou-me no quarto, entrou-me na alma.
De repente a multidão de pardais com a camarata montada na laranjeira de folhagem mais densa, começou a cantar, sempre no mesmo tom de voz e ritmo repetitivo. O rouxinol quis ser maestro, mas não foi capaz. A multidão caótica tolheu-lhe os braços, as asas. Sentiu-se impotente, mas ainda assim a sua voz de barítono soava afinada acima do tom do ruído das vozes dos pardais.
A madrugada fresca e sombria trouxe chuva forte que ao bater com violência nos vidros, me fez mudar a atenção e por breves instantes deixei de ouvir o bando e o rouxinol. De repente o ruído da chuva que caía a pique nas janelas do sótão transportou-me para o mundo da gente que entretanto começava a passar, a ir para o trabalho, cortando com os escapes dos carros, o silêncio.
Como as pessoas acordam cedo e partem para o ganha pão ou ganha fome, sem sequer terem ouvidos, para o rouxinol cantante!
Parece impossível que haja tanta gente a cujos ouvidos não chegue outro som que não o da sua voz e o das suas rotinas alienantes!
Foi no meio destes pensamentos que transpus a orquestra caótica dos pardais, para o mundo dos humanos.
Os pardais deixaram de cantar e partiram para o saque diário de tudo o que de valioso e comestível encontram. No caos da sua madrugada, em vez de cantarem, emitiam sons de conjecturas, de golpes baixos, de entrujices que estavam a planear.
O rouxinol bem intencionado não foi capaz de lhes acertar o ritmo e o tom para que os pudesse demover dos seus vis intentos. Continua a cantar sozinho, uma canção já mais triste mas igualmente melodiosa e bela, numa sonoridade de soprano.
Está cansado, mas não desiste e tem ainda esperança que mais rouxinóis se lhe juntem para que, sendo muitos, se sintam mais fortes.
Cada vez mais proliferam pardais sequiosos, famintos de riquezas,sempre prontos para golpes sujos, neste mundo dos humanos. Cada vez mais os rouxinóis sentem mais impotência.
Os gaviões, chefes de todos, poderiam meter os pardais nas gaiolas,mas não, são ainda piores que os pardais. Planam e preparam a melhor ocasião para calar a voz dos rouxinóis cantantes, não vão estes com o seu belo cantar, espantar as suas preciosas presas.
No meio disto tudo onde estou eu, simples mortal, que não sou nem gavião, nem pardal, mas que de tão frágil ter a voz, também não sou rouxinol?
Estou nesta insignificante parte do cosmos, a levantar a pouca voz que tenho, para a juntar à tua, a de todos os rouxinóis. Todos seremos muitos, teremos mais força, mais determinação e cortaremos aos gavióes, o bico e as garras de ave de rapina.
O que poderemos nós os rouxinóis, fazer aos pardais, àqueles que roubam a torto e a direito o fruto do suor de tanta gente?
Será que temos mais alguma força para além daquela que nos advem da voz?
Fica a questão. Provavelmente temos mais, que aquela que julgamos ter!...
A ti, rouxinol do meu amanhecer, eu peço, continua a cantar!…
Ou será que a tristeza está em mim e não na melodia do rouxinol? De uma forma ou de outra, hoje acordou-me muito cedo com a melodia.
Cantava sozinho e aquela música entrou-me no quarto, entrou-me na alma.
De repente a multidão de pardais com a camarata montada na laranjeira de folhagem mais densa, começou a cantar, sempre no mesmo tom de voz e ritmo repetitivo. O rouxinol quis ser maestro, mas não foi capaz. A multidão caótica tolheu-lhe os braços, as asas. Sentiu-se impotente, mas ainda assim a sua voz de barítono soava afinada acima do tom do ruído das vozes dos pardais.
A madrugada fresca e sombria trouxe chuva forte que ao bater com violência nos vidros, me fez mudar a atenção e por breves instantes deixei de ouvir o bando e o rouxinol. De repente o ruído da chuva que caía a pique nas janelas do sótão transportou-me para o mundo da gente que entretanto começava a passar, a ir para o trabalho, cortando com os escapes dos carros, o silêncio.
Como as pessoas acordam cedo e partem para o ganha pão ou ganha fome, sem sequer terem ouvidos, para o rouxinol cantante!
Parece impossível que haja tanta gente a cujos ouvidos não chegue outro som que não o da sua voz e o das suas rotinas alienantes!
Foi no meio destes pensamentos que transpus a orquestra caótica dos pardais, para o mundo dos humanos.
Os pardais deixaram de cantar e partiram para o saque diário de tudo o que de valioso e comestível encontram. No caos da sua madrugada, em vez de cantarem, emitiam sons de conjecturas, de golpes baixos, de entrujices que estavam a planear.
O rouxinol bem intencionado não foi capaz de lhes acertar o ritmo e o tom para que os pudesse demover dos seus vis intentos. Continua a cantar sozinho, uma canção já mais triste mas igualmente melodiosa e bela, numa sonoridade de soprano.
Está cansado, mas não desiste e tem ainda esperança que mais rouxinóis se lhe juntem para que, sendo muitos, se sintam mais fortes.
Cada vez mais proliferam pardais sequiosos, famintos de riquezas,sempre prontos para golpes sujos, neste mundo dos humanos. Cada vez mais os rouxinóis sentem mais impotência.
Os gaviões, chefes de todos, poderiam meter os pardais nas gaiolas,mas não, são ainda piores que os pardais. Planam e preparam a melhor ocasião para calar a voz dos rouxinóis cantantes, não vão estes com o seu belo cantar, espantar as suas preciosas presas.
No meio disto tudo onde estou eu, simples mortal, que não sou nem gavião, nem pardal, mas que de tão frágil ter a voz, também não sou rouxinol?
Estou nesta insignificante parte do cosmos, a levantar a pouca voz que tenho, para a juntar à tua, a de todos os rouxinóis. Todos seremos muitos, teremos mais força, mais determinação e cortaremos aos gavióes, o bico e as garras de ave de rapina.
O que poderemos nós os rouxinóis, fazer aos pardais, àqueles que roubam a torto e a direito o fruto do suor de tanta gente?
Será que temos mais alguma força para além daquela que nos advem da voz?
Fica a questão. Provavelmente temos mais, que aquela que julgamos ter!...
A ti, rouxinol do meu amanhecer, eu peço, continua a cantar!…
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6/08/2009 08:16:00 da manhã
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sexta-feira, 5 de junho de 2009
Choveu
Ontem choveu
Aquela chuva fresca
Que refresca a terra queimada
Que dá grão ao trigo
E brilho ao olhar.
Apanhei a chuva numa concha
Para contigo me banhar e
Dar brilho aos meus cabelos
De fogo e de mar.
De manhã colhi o orvalho fresco
Envolto em cantos de pássaros
Voos de sonhos
Para me refrescar.
Da terra colhi o cheiro
Das giestas amargas a cor
Para comigo levar.
Corri pelo campo
De sementes germinadas
Sonhei
Alegre cantei.
Ordenei
A este céu encoberto
Quero mais chuva
Mais plantas
Mais orvalho
Mais odor a terra
Mais festa
Aquela chuva fresca
Que refresca a terra queimada
Que dá grão ao trigo
E brilho ao olhar.
Apanhei a chuva numa concha
Para contigo me banhar e
Dar brilho aos meus cabelos
De fogo e de mar.
De manhã colhi o orvalho fresco
Envolto em cantos de pássaros
Voos de sonhos
Para me refrescar.
Da terra colhi o cheiro
Das giestas amargas a cor
Para comigo levar.
Corri pelo campo
De sementes germinadas
Sonhei
Alegre cantei.
Ordenei
A este céu encoberto
Quero mais chuva
Mais plantas
Mais orvalho
Mais odor a terra
Mais festa
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6/05/2009 08:47:00 da manhã
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Até
Quero navegar no verde dos teus olhos
Caravelas ornadas de flores de primavera
E em águas mansas de muitas marés
Parar em praias cálidas de palmeiras.
O verde turvou
O mar calmo agitou-se
As minhas caravelas frágeis
Perderam o norte
O Nascente e o Sul
E estão em desvario, desnorte
De turvo passou a branco
Glaciar o teu olhar
E eu…
Afundei as caravelas
nesse mar imenso.
Construí barcos de papel
Frágeis e leves
Da infância renascidos
Amolecidos,
Afundam
E eu sinto um frio de morte.
Subi os degraus da minha alma
Para te dizer até breve
Mas tu passaste em silêncio
Não olhaste
Nem me viste
E eu…
Balbuciei com medo
Um até
que não ouviste
Caravelas ornadas de flores de primavera
E em águas mansas de muitas marés
Parar em praias cálidas de palmeiras.
O verde turvou
O mar calmo agitou-se
As minhas caravelas frágeis
Perderam o norte
O Nascente e o Sul
E estão em desvario, desnorte
De turvo passou a branco
Glaciar o teu olhar
E eu…
Afundei as caravelas
nesse mar imenso.
Construí barcos de papel
Frágeis e leves
Da infância renascidos
Amolecidos,
Afundam
E eu sinto um frio de morte.
Subi os degraus da minha alma
Para te dizer até breve
Mas tu passaste em silêncio
Não olhaste
Nem me viste
E eu…
Balbuciei com medo
Um até
que não ouviste
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6/05/2009 08:23:00 da manhã
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segunda-feira, 1 de junho de 2009
Entre arfares
Era diferente de todas as outras. As próprias brincadeiras tinham outra graça.
Diziam as mães das demais, que a menina da Guiomar nem sequer a terra lhe pegava ao vestido. Parece filha de rainha, aquela menina.
Mas não era, fora concebida no meio dos fenos altos e verdes da Primavera que é a altura dos cios, misturados com os cios da natureza. Já com cinco filhos, o marido sempre adoentado, uma vida de privações a comer o que a terra dava com o suor derramado em cada horta , em cada lameiro e penhasco do fim do mundo, Guiomar trocava as voltas ao marido fingindo dormir, porque mais filhos era coisa que não lhe faria falta naquela idade avançada pare a maternidade.
Jesus, homem, parece que até me envergonhava dos meus outros filhos, não pensassem que ainda andávamos com poucas vergonhas, dizia Guiomar ao homem quando o sentia mais entusiasmado. Com estas palavras não havia entusiasmo que resistisse aos seus cinquenta e cinco anos já feitos, virava-se para o lado e adormecia.
Não adiantou nada! Naquela tarde, de enxada na mão, começou a olhá-la com olhos de carneiro mal morto e quando ela deu conta já a estava a puxar para o chão, atrás de um qualquer arbusto, entre fenos altos. Foi assim que Maria fora concebida, em arfares de gozo e ataques de bronquite que não largavam o homem. Parece que até os olhos lhe iam saltar das órbitas.
Costumava ter esses ataques de tosse, sempre que por qualquer motivo se entusiasmava e se ria e então no Inverno, no meio de uma constipação, de o sentir tão apoquentado, até apetecia tossir por ele para lhe aliviar o sofrimento.
Que menina tão linda, diziam as parteiras, curiosas da aldeia, que de tantos partos assistirem eram autênticas parteiras profissionais. Então não sei a quem se sai, dizia Guiomar ainda cansada do trabalho de parto que durou dois dias.
Foi o presente que o homem lhe quis deixar, uma menina, para que daqui a uns anos tratasse dela. Cansada pela dureza da vida e pelos quase cinquenta anos, não tardaria a ser velha e uma filha tardia é o ancoradouro dos pais.
Parece que adivinhava o Chico; morreu no cair da folha seguinte.
Ao menos ainda conheci a Maria, dizia ele quando, no pouco ar que respirava, ainda arranjou ar para umas palavras, no leito de morte, dirigidas a Guiomar o aos outros filhos, a maioria já casados e com descendência.
Não fosse a grande confiança que depositava em Guiomar, diria que aquela filha não seria das sementes da sua colheita. O mesmo dizia o povo da aldeia e aldeias vizinhas, sempre pronto a dar facadas nas vidas alheias. Não, neste caso ninguém ousou levantar a mínima suspeita. Todos conheciam a pureza de carácter de Guiomar, ninguém ousou nem por sombras, duvidar da paternidade de Maria, apesar do seu ar de princesa.
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Adelaide Monteiro
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6/01/2009 11:16:00 da manhã
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quinta-feira, 28 de maio de 2009
Como me dói

Sinto um cansaço terrível que me tolhe os passos.
Tenho os músculos com espasmos que me contraem os tendões.
Quero caminhar, mas esta inércia de vagalume gelado prende-me, os pés estão frios, a boca dormente, a língua presa.
Quero chamar-te mas tu não olhas para trás, não ouves. É que da minha boca sai uma brisa leve, tão leve, tão gasta e o som das minhas palavras que fica retido no meu peito, não chega a ti.
Quero lançar as palavras numa folha branca para ta mandar pelo vento, mas a tinta não adere, esguicha e mancha-me o vestido, mancha-me o corpo.
Quero compor uma melodia com o som das palavras que não saem, mas a pauta ficou desfeita num vendaval e as teclas do piano estão partidas.
Como me dói esta impotência, como me dói o tempo!
O tempo, sempre o tempo!...
O tempo que não tenho, o tempo que me mata, o tempo que há-de vir, sempre o tempo.
Tenho uma nuvem de poeira branca depositada pelo tempo, em cima dos ombros, no xaile negro. Soprei a poeira para com ela te mandar, em neblina, o aroma do meu corpo. A poeira petrificou e não fez neblina e eu tenho os ombros doridos, cansados.
Onde estás, condor de asas fortes para me levares para longe?
Onde estás tu, águia de bico forte, para me partires os pedragulhos que me imobilizam o corpo?
O condor não veio, a águia também não.
Luz difusa inundou-me o quarto e acordei do pesadelo.
Abri a janela, o veda luz e saudei o sol radioso que prometia um dia quente.
Saudei a vida, saudei o tempo, cantei!
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5/28/2009 05:49:00 da tarde
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quarta-feira, 27 de maio de 2009
Reflexos
Porque me enganas, espelho
E me mostras diferente
Daquilo que sou?
És fútil, indiferente
Vives de aparências
Pedes-me cosmética
Que não sei usar
E nem mesmo transmites
A essência
Do meu verdadeiro olhar.
Mentes-me
Incorrigível mentiroso.
Asno, vaidoso
Que me tira o sonho
Que me faz agitar.
Porquê que manhoso
Não mostras a pureza
Da minha alma
Do meu olhar?
Contigo
Sinto-me intimidada
Faço caretas
De envergonhada.
Criticas-me
O mau humor do acordar
Os papos, as remelas
O sono a cambalear
Se ando vestida
Ou despida
Se ando descalça
Ou calçada
Se sou careca
Ou tenho cabeleira
Grisalha ou pintada.
Gostas de me minimizar
E não vales nada.
Vou-te mandar bugiar.
E me mostras diferente
Daquilo que sou?
És fútil, indiferente
Vives de aparências
Pedes-me cosmética
Que não sei usar
E nem mesmo transmites
A essência
Do meu verdadeiro olhar.
Mentes-me
Incorrigível mentiroso.
Asno, vaidoso
Que me tira o sonho
Que me faz agitar.
Porquê que manhoso
Não mostras a pureza
Da minha alma
Do meu olhar?
Contigo
Sinto-me intimidada
Faço caretas
De envergonhada.
Criticas-me
O mau humor do acordar
Os papos, as remelas
O sono a cambalear
Se ando vestida
Ou despida
Se ando descalça
Ou calçada
Se sou careca
Ou tenho cabeleira
Grisalha ou pintada.
Gostas de me minimizar
E não vales nada.
Vou-te mandar bugiar.
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5/27/2009 12:44:00 da tarde
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sábado, 23 de maio de 2009
Reage, gaivota!

De olhar triste e fixo
Olhas o horizonte
Mas para além das tuas penas
Nada vislumbras.
Olhas para ti
mas o que vês
não te pertence.
Gaivota solitária
Que habitas o mastro
De um barco à deriva no mar
Reage
E voa para aquele rochedo!
Não vês que vais naufragar
Nesse mar imenso
Que te tragará
E que depressa te lançará
Nas ondas, a flutuar?
Vai gaivota!
Sai dessa inércia de morte
Não te entregues à tua sorte
Pesca, come, ganha coragem
Deixa o mastro
Parte em viagem!
Voa gaivota!
Rasga o oceano, pára num coral
Olha as águas de puro cristal.
Vai para aquela praia
De águas mansas
Onde brincam crianças
Que te esperam, no areal.
Canta gaivota!
Canta com a tua voz rouca
E bate as asas com força
Vai a terra, volta ao mar.
Vai gaivota!
Vai com as crianças sonhar!
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Adelaide Monteiro
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5/23/2009 10:55:00 da tarde
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segunda-feira, 18 de maio de 2009
Canta, luta
Canta velho, canta novo,
a dor alivia a cantar
quanto mais acabrunhado,
mais ficas desanimado
e impotente para lutar.
Canta velho,
contra a injustiça,
o abandono, a indiferença,
contra aqueles que te dão
a esmola com uma mão,
para nas urnas mostrares
a tua fiel presença.
E tu jovem canta,
sempre, sempre, sem parar
e luta para mais saber
pare dares a lição a valer
àqueles que te estão a enganar,
na escolha que não escolheste
seguiste o que nunca quiseste
para contrariado falhar.
Canta contra o estratagema
das novas oportunidades
que te querem dar, sem estudar
e que mais não são,
que para justificar
as falhas de todo o sistema,
que te fez fracassar.
Luta jovem, canta e dança
e com toda a seriedade,
com trabalho,justiça e verdade,
constrói uma sociedade,
de completa mudança.
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Adelaide Monteiro
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5/18/2009 05:11:00 da tarde
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Vem!

Vem sol!
Derreter a geada
que se formou na noite
e gelou os sonhos de tanta gente.
Vem lua!
Trazer magia, luz, alegria
à noite escura,
onde perdura
a dor,
e a fome que se sente.
Vem mar!
Recolher o sal das lágrimas
vertidas,
em rios de tumultos
de desilusões, de insultos,
de incertezas, de verdade ausente.
Vem tu!
Grita bem alto em cada rua,
em cada esquina,
tira a mordaça
e grita a razão que é minha e tua.
Defende-te
de tudo o que nos ameaça,
a ti, a nós, a toda a gente
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Adelaide Monteiro
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5/18/2009 12:14:00 da tarde
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sexta-feira, 15 de maio de 2009
Silêncio

Silêncio, porque te escondes
em cada esquina?
Porque te entranhas na minha mente
e me roubas os sons da noite?
Venham sapos e grilos
Transponham a barreira
Entrem na minha casa
Na minha lareira
E cantem para mim
A noite inteira
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Adelaide Monteiro
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5/15/2009 01:54:00 da manhã
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segunda-feira, 11 de maio de 2009
Chuva de Maio
A chuva, puxada pelo vento, forma gotículas que se assemelham a pequenas pérolas. À medida que o vento traz mais água, essas gotículas vão engrossando e deslizam vidros abaixo, como se fossem estrelas cadentes.
O céu está carregado de nuvens escuras que vão despejando a chuva que há uns tempos era pedida. De tal forma era desejada que os habitantes, crentes nos milagres de Fátima, rezaram uma novena. Não me interessa se por milagre ou não, a chuva veio e veio fria, miudinha.
O vento sibila de encontro aos pilares de granito. Sentada, a ouvir esse sibilar, os meus pensamentos vagueiam à velocidade do vento, à medida que os meus olhos olham os campos verdejantes, o céu cinzento carregado, com pequenas manchas de azul celeste junto à linha do horizonte.
Olho através de janelas rasgadas e desnudas, viradas a nascente, sul e poente. Desnudas como convém no campo.
As cortinas, por mais leves e transparentes que sejam, são para mim como que nuvens escuras que tapam o luar de Agosto.
Janelas desnudas são canais abertos à cor, à beleza, à divagação, ao sonho.
Os pássaros, esses reduziram os cânticos. Só de vez em quando passa um ou outro mais afoito a desafiar a chuva fria. Meteram-se nos ninhos para protegerem os ovos ou os pequenos filhos.
As árvores balançam e a localização estratégica do ninho,deixou de o ser, pela mudança da posição dos ramos embalados pelo vento, o que confere uma maior vulnerabilidade aos pequeninos pássaros.
Os grilos recolheram-se nas profundezas dos buracos e calou-se a orquestra.
A azáfama da toupeira contrasta com o estado de sonolência da maioria dos outros; fura em estado de quase loucura, túneis intermináveis para drenar os terrenos. Está a exercer com elevado profissionalismo a sua função, embora seja mal interpretada e frequentemente recebida com um golpe de morte, quando à superfície emerge com o montão de terra molhada.
Também eu sinto uma sonolência leve, um torpor hipnótico, causado pelos sons em surdina da natureza, do ruído da chuva que agora cai mais forte e, por esta luz difusa que me chega de um sol escondido, perdido no firmamento.
Uma sonolência que me convida a fechar os olhos, ouvir o silêncio e, quem sabe, a uma soneca reconfortante, numa tarde primaveril com laivos de Inverno…
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5/11/2009 05:23:00 da tarde
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domingo, 10 de maio de 2009
Evade-te, poema!
Poema, porque te escondes
Se os teus olhos são estrelas
Em noite escura?
Porque te escondes atrás da nuvem negra
Na penumbra, no engano, na amargura?
Evade-te, poema
Dessa nuvem, espuma dissipada
Das vagas,
Contra a areia molhada.
Insinua-te poema
E à tua amada mostra a luz
Dos teus olhos, seduz!
Sai da masmorra em que te encontras
Labirinto de pesadelos, terror
Onde confundes dever com amor
Onde lentamente cavas a tua sepultura.
Perfura a nuvem negra, poema
Sai em liberdade, doçura!
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Adelaide Monteiro
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5/10/2009 11:45:00 da tarde
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sexta-feira, 8 de maio de 2009
Vem, chuva!
Vem, chuva!
Quero receber-te na rua
Abraçar-me às tuas gotas frescas
Molha-me
Recebo-te como se estivesse nua.
Como uma árvore gotejante
Peço vento e sol bastante
Brilhante
Para secar-me na rua.
Vem, chuva!
Molha-me o meu cabelo
Perfuma-o com desvelo
Com cheiro a terra que trazes.
Quero sentir o aroma
Das flores molhadas
Rosas, lírios, lilazes
Delírios
Para perfurmar-me na rua
Vem, chuva!
Traz-me frescura de Outono
Na Primavera estival.
Contigo eu quero dançar
Quero que sejas meu par
Melodia sem igual
Abandono
Numa dança minha e tua
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Adelaide Monteiro
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5/08/2009 05:11:00 da tarde
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quarta-feira, 6 de maio de 2009
Velejando

Quando falaste, fui toda ouvidos
Quando me olhaste, olhei para ti
Fogos cruzados, olhares perdidos
Num barco à vela, numa viagem.
Vento soprando, mais do que aragem
As velas enchem, o barco desliza
E o mastro sobe, sempre em crescendo.
Sopra mais forte, ao vento pedi.
Com as velas cheias, o barco avança
Sobem as ondas e ele balança.
O vento amaina, o mastro descansa
O barco desliza, em brisa mansa.
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5/06/2009 12:02:00 da tarde
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terça-feira, 5 de maio de 2009
De Sapinho Feio a Príncipe
……logo que os arados sulcavam o solo, caminhava na terra remexida, indiferente ao barulho produzido pelo tractor.
O tio Zé, homem para os seus setenta e muitos Invernos, artroses a condizer com os anos, não se lembrava de cegonha assim. Caminhava imediatamente a seguir, sem sequer manifestar o mínimo receio de ser atropelada, quando para lavrar a pequena propriedade ele metia a marcha atrás. Desviava-se ligeiramente e sempre a espreitar na terra mais húmida, de onde retirava os seus pitéus de minhocas e outros bichos tais.
Aquela cegonha era de uma voracidade assustadora.
O tempo secou e, com a secura, os arados não conseguem penetrar na terra; o tio Zé deixou de lavrar.
A cegonha voraz teve que procurar outro sítio para satisfazer a sua gula. Sobrevoou os terrenos adjacentes à aldeia e lá do alto avistou uma lagoa coberta de flores brancas de uma beleza incomparável. De patas na vertical, desceu e ficou com elas, quase submersas.
Com o longo bico dentro da água e de encontro ao fundo, remexia aquele lodo cinzento à procura de qualquer coisa que fosse que lhe preenchesse o vazio que sentia no estômago. A certa altura pressentiu algo a mexer no meio daquele lamaçal. Estava pronta para lhe apertar as mandíbulas assassinas, não fosse ter ouvido um som, numa mistura de gemido e grito que lhe dizia:
Senhora cegonha, a senhora sempre tão elegante e esbelta, não me coma; eu sou apenas um sapinho feio, tão feio, olhe para mim! Houve quem me tivesse confessado que eu à nascença era como todos os outros sapos são, mas a minha mãe e os meus irmãos começaram a chamar-me feio, eu convenci-me disso e sou muito infeliz. A senhora cegonha se me comer vai ficar também mais feia!...
A cegonha que era vaidosa, reflectiu nestas palavras e como não queria de modo algum por em risco o seu porte e rosto perfeitos, não apertou as mandíbulas. Puxou o sapinho cá para fora e colocou-o em cima das flores brancas. Na verdade, emoldurado com aquela verdura matizada de branco, não lhe pareceu aquele sapo diferente dos que já tinha visto. Olhou-o naqueles olhos pestanejantes e suplicantes por clemência e pensou:
Mas porque carga de água uma mãe pode achar que o filho é feio, e mais do que isso tê-lo feito acreditar que assim é?
Olhou-o nos olhos mais demoradamente, reparou na boca, nas manchas da pele húmida e achou que o sapinho era perfeitamente normal, dentro dos parâmetros de beleza dos sapinhos.
Continuou a conversar e para seu espanto, a fome desaparecera. Achava o sapinho, de tão simpático e puro, cada vez mais bonito e quanto mais conversava, mais beleza lhe achava.
Ele, perante o olhar fixo da cegonha, começou a tremer e de tanto medo que sentia, não conseguia dizer mais nada.
A tua mãe onde está, perguntou-lhe a cegonha.
A minha mãe partiu para outra lagoa com os meus irmãos, eu não quis ir com eles e fiquei aqui.
Se eu te disser que tu és o sapinho mais bonito que alguma vez vi, tu acreditas?
És um verdadeiro príncipe. Gosto muito de ti e vou levar-te comigo, para junto do meu ninho.
Segurou-o cuidadosamente e voou.
O sapinho nem queria acreditar.
Eu príncipe!
Eu que sempre pensei que era o Sapinho Feio, agora sou Príncipe!
Como eu sou feliz!...
“Depressa um Príncipe passa a Sapinho Feio, se for tratado com desdém”.
“Depressa um Sapinho Feio passa a Príncipe, se for tratado com amor e compreensão”.
“Nem sempre os pais estão certos em relação aos filhos e por vezes transformam-nos em sapinhos feios, complexados, infelizes”.
O tio Zé, homem para os seus setenta e muitos Invernos, artroses a condizer com os anos, não se lembrava de cegonha assim. Caminhava imediatamente a seguir, sem sequer manifestar o mínimo receio de ser atropelada, quando para lavrar a pequena propriedade ele metia a marcha atrás. Desviava-se ligeiramente e sempre a espreitar na terra mais húmida, de onde retirava os seus pitéus de minhocas e outros bichos tais.
Aquela cegonha era de uma voracidade assustadora.
O tempo secou e, com a secura, os arados não conseguem penetrar na terra; o tio Zé deixou de lavrar.
A cegonha voraz teve que procurar outro sítio para satisfazer a sua gula. Sobrevoou os terrenos adjacentes à aldeia e lá do alto avistou uma lagoa coberta de flores brancas de uma beleza incomparável. De patas na vertical, desceu e ficou com elas, quase submersas.
Com o longo bico dentro da água e de encontro ao fundo, remexia aquele lodo cinzento à procura de qualquer coisa que fosse que lhe preenchesse o vazio que sentia no estômago. A certa altura pressentiu algo a mexer no meio daquele lamaçal. Estava pronta para lhe apertar as mandíbulas assassinas, não fosse ter ouvido um som, numa mistura de gemido e grito que lhe dizia:
Senhora cegonha, a senhora sempre tão elegante e esbelta, não me coma; eu sou apenas um sapinho feio, tão feio, olhe para mim! Houve quem me tivesse confessado que eu à nascença era como todos os outros sapos são, mas a minha mãe e os meus irmãos começaram a chamar-me feio, eu convenci-me disso e sou muito infeliz. A senhora cegonha se me comer vai ficar também mais feia!...
A cegonha que era vaidosa, reflectiu nestas palavras e como não queria de modo algum por em risco o seu porte e rosto perfeitos, não apertou as mandíbulas. Puxou o sapinho cá para fora e colocou-o em cima das flores brancas. Na verdade, emoldurado com aquela verdura matizada de branco, não lhe pareceu aquele sapo diferente dos que já tinha visto. Olhou-o naqueles olhos pestanejantes e suplicantes por clemência e pensou:
Mas porque carga de água uma mãe pode achar que o filho é feio, e mais do que isso tê-lo feito acreditar que assim é?
Olhou-o nos olhos mais demoradamente, reparou na boca, nas manchas da pele húmida e achou que o sapinho era perfeitamente normal, dentro dos parâmetros de beleza dos sapinhos.
Continuou a conversar e para seu espanto, a fome desaparecera. Achava o sapinho, de tão simpático e puro, cada vez mais bonito e quanto mais conversava, mais beleza lhe achava.
Ele, perante o olhar fixo da cegonha, começou a tremer e de tanto medo que sentia, não conseguia dizer mais nada.
A tua mãe onde está, perguntou-lhe a cegonha.
A minha mãe partiu para outra lagoa com os meus irmãos, eu não quis ir com eles e fiquei aqui.
Se eu te disser que tu és o sapinho mais bonito que alguma vez vi, tu acreditas?
És um verdadeiro príncipe. Gosto muito de ti e vou levar-te comigo, para junto do meu ninho.
Segurou-o cuidadosamente e voou.
O sapinho nem queria acreditar.
Eu príncipe!
Eu que sempre pensei que era o Sapinho Feio, agora sou Príncipe!
Como eu sou feliz!...
“Depressa um Príncipe passa a Sapinho Feio, se for tratado com desdém”.
“Depressa um Sapinho Feio passa a Príncipe, se for tratado com amor e compreensão”.
“Nem sempre os pais estão certos em relação aos filhos e por vezes transformam-nos em sapinhos feios, complexados, infelizes”.
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Adelaide Monteiro
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5/05/2009 06:17:00 da tarde
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domingo, 3 de maio de 2009
Quero
Deixei de lutar
Não porque tenho perdido as forças, mas tão só, porque não quero.
Quero relaxar os músculos e deixar-me levar pelo ritmo da corrente
Das águas de um rio tumultuoso, rápido, espumoso, sem bote
Num percurso onde de tudo, acontece.
Quero emoção,
Quero que aquelas águas me massagem a pele, me beijem
Com a sofreguidão de faminto, sequioso.
Depois, quero desaguar
Num mar calmo, transparente, silencioso.
Quero flutuar nesse mar
E em quietude
Deixar-me arrastar
Sem inseguranças ou medos
Que me obriguem a voltar.
Não porque tenho perdido as forças, mas tão só, porque não quero.
Quero relaxar os músculos e deixar-me levar pelo ritmo da corrente
Das águas de um rio tumultuoso, rápido, espumoso, sem bote
Num percurso onde de tudo, acontece.
Quero emoção,
Quero que aquelas águas me massagem a pele, me beijem
Com a sofreguidão de faminto, sequioso.
Depois, quero desaguar
Num mar calmo, transparente, silencioso.
Quero flutuar nesse mar
E em quietude
Deixar-me arrastar
Sem inseguranças ou medos
Que me obriguem a voltar.
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Adelaide Monteiro
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5/03/2009 01:02:00 da tarde
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Naquele deserto, onde jaz

À tristeza disse não
Despiu as lágrimas
Engoliu o pranto
Varreu as dores do seu coração.
Fechou a porta a sete chaves, não fosse a tristeza voltar e de mansinho quisesse entrar.
Mandou-a embora. Pôs-lhe a mala à porta, cheia de trastes velhos e de tão cheia, teve que lhe pôr o joelho em cima para a poder fechar.
Vestiu-a com todas as mágoas, lavou-a com as lágrimas, penteou-lhe os cabelos longos e lisos com pentes de angústias. Para a tornar mais elegante, calçou-lhe uns sapatos de salto alto produzidos numa mistura de desencantos e abandono.
Assim aperaltada, a tristeza apanhou o primeiro comboio da manhã. Constava que teria sido deportada para longe. Soube-se mais tarde que o seu destino fora um deserto imenso, de dunas gigantescas, de areias escaldantes que calcorreou descalça.
Procurou um oásis para beber. Morreu de sede.
Foi acometida por uma miragem que a conduziu para dunas cada vez mais altas e intransponíveis. Diz-se que ao morrer, terá emitido um grito estridente que continua a ser ouvido nas noites frias do deserto.
Deportou-a...
Esqueceu-a,... naquele deserto, onde jaz...
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Adelaide Monteiro
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5/03/2009 12:34:00 da manhã
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segunda-feira, 27 de abril de 2009
Mas não! Ninguém

Ah, mundo cruel, como me oprimes!
Ah, poder fingido, como me enganas!
Ah, patrão de milhões, como me ignoras,
me esvazias e me lanças no beco
do desemprego, das desilusões!
Reclamo, dou opinião.
Mas não!
Ninguém me ouve.
Ninguém me vê, é em vão!
Como heras trepei
e agarrando-me ao que de mim restava,
até aos confins do meu ser, lutei;
de mão erguida exigi,... depois implorei.
Mas não!
Ninguém me dá a mão
Ninguém me vê, constatei!
Se soubesses como me sinto só,
no meio de tanta gente!
Sem pressa, caminho apressada
e para não morrer sufocada,
cruelmente esmagada,
sem destino, corro à frente.
Mas não!
Ninguém me vê,
neste mundo indiferente!
Se soubesses como sinto fome
De justiça, de amor, de pão!
Sento-me… e envergonhada,
estendo a mão.
Estendo a mão ainda jovem,
mas demasiado enrugada
para ter outro patrão.
Peço ajuda
Mas não!
Ninguém me vê,
neste mundo cão!
Mas eis que junto os meus pedaços
com a força que me restou
e de mangas arregaçadas,
enfrento tudo e aí vou.
Grito bem alto ao mundo,
ao patrão e ao poder,
meus senhores hei-de vencer
esta batalha, esta luta;
hei-de-me restabelecer
para não voltar a estender,
a mão, a filhos da puta.
Todos irão ver,
Das cinzas, o meu renascer!
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Adelaide Monteiro
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4/27/2009 10:08:00 da tarde
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