Acerca de mim

A minha foto
Sintra/Miranda do Douro, Portugal
Gosto de pintar,de escrever e de fazer trabalhos manuais.Sou simples e verdadeira. Tenho que pôr paixão naquilo que faço, caso contrário fico com tédio. Ensinar, foi para mim uma paixão; escrever e pintar, continua a sê-lo. Sou sensível e sofro com as injustiças do Mundo. A minha primeira língua foi o Mirandês. Escrevo nessa língua no blog da minha aldeia Especiosa em, http://especiosameuamor.blogspot.com em Cachoneira de Letras de la Speciosa e no Froles mirandesas.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Vestido de folhos


Caminho descontraída
Olhos fitam-me
Sem me verem
Olhos olham-me
Sem me olharem.
Multidão distraída
Ausente
Distante
Dorida
Perdida.

Finjo ser cigana
Vestido de folhos
Cabelos ao vento
De negro pintados
Quero distribuir sonhos
Quero dar alento
Aos desventurados.

Digo à multidão
Senhor, Senhora
Vou-lhe ler a sina
Na palma da mão.

Uma mão aqui
Outra acolá
Leio linha deste
E daquela lá
E das linhas da mão
Eu saco sorrisos
Eu prometo filhos
Trabalho, pão
Saúde, fortuna
Amor, união.

E aquelas gentes
De ar carregado
De passo apressado
Esboçam um sorriso
Pois sabem lá
Se aquela cigana
Que não sendo cigana
Teria acertado.

O seu semblante
Notou-se aliviado
E o seu coração
Passou a bater
Muito mais acertado.

Sou fábrica de sonhos
E mar de sorrisos
Vestida de folhos
Cabelos ao vento
Eu pobre cigana
Não sendo cigana
Eu faço sonhar
E brilho no olhar
E por um momento
Empresto paraísos.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sou tua

Quisera eu fazer sair da minha fonte
as palavras em catadupa, transbordantes
e te dizer que te sinto, te quero
e que é nos teus braços
que me aconchego e,
no cheiro do teu corpo me perco.

A fonte de águas cristalinas secou neste inferno estival
e com ela secaram-me as palavras com que te queria cantar,
meu planalto escaldante.
Os meus lábios não te sorriem de gretados, ao olhar-te
e tu olhas-me, em desespero suplicante.

Reguei-te com o meu suor e com a água fresca
que saiu das tuas entranhas e,
regado, rejubilavas durante a noite
mas quase que perecias durante o dia,
queimado pelo sol, agitado pelo vento seco
e te dobravas sobre ti mesmo em agonia de morte, de desespero,
em pedidos de socorro,
olhando o céu à procura de uma nuvem
que te trouxesse chuva.

Secaram-me as palavras
como te estás a secar, meu planalto…

Queria deixar-te um poema antes de partir,
um poema que te fizesse sorrir.

Saiu mudo, o meu poema!...

É um poema de sentires,
sem palavras nem métricas nem rimas.

Não rima dor, com a falta que me fazes;
não rima amor, com os teus poentes vermelhões,
com os teus nascentes roxos e laranja,
com os teus horizontes em que me deito e sonho,
com a côdea dura do teu pão que amoleço e me mata a fome.
Não rima estontear com os teus cheiros,
emudecer com os teus sons,
sonhar com os teus silêncios,
dormir nas mantas que me estendes, nos lameiros
sentir com os teus sentidos.

Não te deixo palavras em catadupa,
porque as não tenho
nesta fonte que julgo seca.
Entrego-te a fonte…
Sou tua para sempre!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

No dia em que chorei para dentro


No dia em que eu chorei para dentro,
Fez-se um dilúvio na minha alma,
lágrimas secas,
dor que não acalma.

No dia em que eu chorei para dentro
O rio cresceu e transbordou,
a minha alma inundou,
Os meus olhos secou.

Secou com dores tamanhas,
cortou-me o respirar,
tirou-me o gritar
e engoli o sentir,
em vez de chorar.

Nas minhas entranhas
formaram-se cristais de sal,
pedras, tal e qual,
tamanhas…

Enfim houve um dia
que fundo respirei,
os cristais quebrei,
a minha alma restaurei
e, nos meus olhos,
as comportas rebentaram,
as lágrimas saíram,
as minhas dores aliviaram.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Levarei asas e inquietude


Viajo sem mala, apenas uma trouxa leve onde levo as asas com que voo nos meus sonhos para um mundo diferente onde, as gotas eternas de orvalho são pérolas que me ofereces, onde o respeito seja a bandeira, onde a paz impere, trazida por pomba branca, sua mensageira.

Carrego nos bolsos a minha inquietude, a minha esperança, a minha sede de mudança, a minha estrela para acender, para que, nas noites escuras ela possa alumiar em plenitude, o mundo, as mentes.

Não, não me digas que não chego!

Eu sei que quando quero, quase sempre me supero.

Não, não me digas que não vá!

Irei como a formiga seguindo o seu carreiro, carregada de futuro, contornando, circundando, seguindo, nos seus intentos persistindo.

Não levarei rodas, isso não!
Não quero atropelos, levo as minhas asas para não ferir ninguém pelo caminho.
É com elas que viajo, plano sobre o mar, olho-me no espelho da água, falo com as gaivotas e com elas canto e danço.

É com elas que sobrevoo o meu planalto, pare te ver Terra Quente, a suar de cansaço, a morrer de sede, a arder em chamas de promessas, de intentos. Vejo-te Terra Quente, vejo-te a arder em febre, delirante e crédula, manipulada a pobre gente.

Não, não quero rodas e também não quero pés! Não me peças para os levar.
Pois tu não vês que com as rodas eu posso ferir e com os pés eu posso pisar?

Na minha bagagem levarei as minhas asas, envolvidas na minha inquietude!...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Não!


Não tentem amordaçar-me
que a seguir corto a mordaça
Não tentem nunca calar-me,
na mesma gritarei a quem passa.

Gritarei contra o compadrio,
contra a injustiça, a corrupção,
contra quem protege os ricos
e aos pobres tira o pão.

Gritarei contra os promotores
de politiquice bacoca,
maldicencia, caciquismo,
cego partidarismo,
prontos a fazer batota.

Podem cortar as minhas mãos
porque na mesma escreverei,
farei dos cotos a minha arma,
no teclado gritarei.

Gritarei a liberdade,
a justiça social,
nos direitos a igualdade,
nos deveres a obrigatoriedade,
tratamento por igual.

Chamem-me poeta decepada
Poeta maneta, não!
Chamem-me poeta amordaçada
Poeta silenciada, não!


Hei-de escrever em papel,
hei-de escrever na Internet,
hei-de dizer as verdades,
bem alto a toda a gente.

E quando a força me acabar
i eu for para as estrelas,
lá continuarei a lutar
e a escrever junto delas.

domingo, 9 de agosto de 2009

Fugas

Acordei com o olhar indiscreto da lua a entrar-me no quarto através do cortinado fino que tapa a janela, acima da cabeceira da cama. Julguei que se tratasse da luz difusa da aurora e dum amanhecer que se aproximava. Sentei-me na cama, puxei o cortinado e espreitei o céu em direcção a poente, a orientação do quarto. Depressa me apercebi que por cor diferente não se tratava de um amanhecer, mas sim da luz lunar, daquela lua tão solitária quanto bela.

Embora o céu estivesse estrelado, aquela lua de Agosto, tão enigmática e bela sentia-se só. Os habitantes da aldeia não lhe dão a atenção que ela gosta de ter e, em vez de apaixonante passa a lua indiscreta que interfere com as sementeiras, colheitas, corte de madeiras.
Levantei-me e debrucei-me sobre o parapeito duma janela na mesma orientação. A lua olhou-me enigmática, apaixonada, perante a cumplicidade de Vénus. Ali fiquei a contemplar o céu como se fosse a primeira vez que via a lua a pôr-se, no preciso ponto em que todas as tardes de Verão o Sol se põe. Na verdade já não me lembrava do pôr da lua; telo-ia visto muitas vezes em menina quando acordava muito cedo para ir para as ceifas, mas na verdade não me lembrava.
Assim foi descendo gradualmente e com Vénus e as estrelas foi desaparecendo no horizonte, com a dignidade que só uma Lua pode ter. Antes que a luz traiçoeira do Sol lhe retirasse o brilho partiu triunfante para, deslumbrante, reaparecer na noite seguinte, do lado oposto do céu.

Eu, ser minúsculo deste universo magnífico, senti-me infinitamente mais pequena, perante tanta beleza!...
Vesti-me à pressa. Decidida a observar o nascer do Sol, subi o monte que mo retarda, no mínimo quinze minutos. Quando o sol me entra pela cozinha já vem quente e com brilho intenso.

Subi apressada e mais à frente, no Serro, no planalto, sentei-me numa pedra de granito no meio de uma terra lavrada, de fronte para aquela luz ainda discreta que se mostrava sobre o monte da Senhora da Luz e ali fiquei, descalça, pronta a receber o sol e a força que ele tinha para me transmitir.

Magnífico, exclamei!...
Assim fiquei a registar as várias tonalidades do céu, como que a captá-las para uma tela. Alaranjado junto ao horizonte, ia esbatendo para esverdeado e acima lilás a fugir para roxo. Estes tons eram reflectidos nas discretas nuvens que se espraiavam no céu o que dava ainda mais beleza àquele nascer do Sol.
O laranja foi gradualmente aumentando e tornando os restantes tons mais discretos até que desapareceram com o intensificar do brilho daquela bola que saiu do horizonte tão distante, neste planalto magnífico.
E assim fiquei, estática, absorta, a pensar na Lua e no receio que ela sentiu em enfrentar aquela luz. Também eu não suportei muito tempo aquela força da natureza que surgiu e depressa os meus pobres olhos começaram a lacrimejar.
Fiz o percurso inverso. Queria chegar ao cimo do monte sobranceiro à aldeia antes da luz do Sol. Aí, sentei-me no chão junto às giestas. O sol foi iluminando gradualmente os telhados da aldeia depois de em primeira mão ter chegado às carvalheiras da Moura, onde a lua se fora. Os telhados dos pontos mais altos em vários locais da aldeia começaram a receber a luz, a torre da igreja, os frondosos freixos de S. Lourenço e finalmente a minha casa que por ser a mais próxima do monte foi a última a ser cumprimentada pelo Sol.
Desci e dirigi-me a casa. O vício do café da manhã chamou-me…

terça-feira, 28 de julho de 2009

De olhos fechados

De olhos fechados, velo-te serena,
como se fosse a lua. Não te vejo mas
imagino os contornos do teu corpo e
tatuo as minhas carícias na tua pele
morena, em sulcos de ternura.

Sinto o calor dos teus beijos
na minha boca sedenta e
aconchego-me nos teus braços,
lianas que me envolvem
e onde leve me balanço.

Desfolho as flores de esteva
e tomilho que colhi no campo
e te ofereço num cesto de vime
para me que me cubras o corpo nu,
para que me perfumes.

Depois, passo para o teu corpo
o perfume do meu, aroma bravio,
o mesmo cheiro onde me perco,
onde nos perdemos os dois,
onde nos encontramos depois.

Sei onde estás e caminho contigo
de mão dada pelas areias brancas
de uma praia, sob o olhar da lua,
reflexo prateado num mar sereno,
em vigília, feitiço, sonho ameno.

Nas águas prateadas daquele mar
molho os pés e com a mão em concha
salpico-te e tu, divertido,
como um menino,
corres atrás de mim,
para me salpicares também.

Alcanças-me. Caímos envolvidos,
embalados pelo som do mar
e aquecidos, esquecidos, os nossos corpos
dançam em sintonia, humedecidos,
em simbiose de calor
e fresco de maresia.

Sussurros doces ao ouvido,
abafados e que de tão abafados
se perdem
e assim ficamos,
ondas de mansinho,
voz de mar,
gaivotas de rochedos,
adormecidos, esquecidos,
corpos cobertos de luar.

Amigo, recupera os teus sonhos


Que fizeste dos teus sonhos,
amigo?
Desiludido, cansado,
entregaste-te à má sorte,
dobrado,
esperas a morte
que sentes como vida,
pela vida que não sentes.

Levanta-te amigo!
Olha a lua!
Por vezes tão enevoada
tão triste e sombria,
reaparece renovada,
resplandecente
e cheia de alegria,
te ilumina os passos.

Vem amigo!
Faz do meu ombro
o teu porto seguro,
faz do meu coração
a tua âncora,
do meu calor
a tua manta,
entrega-me em palavras,
a tua dor.

Abre as janelas da tua alma,
retira todos os cadeados
mesmo aqueles mais cerrados,
faz de ti a porta aberta
por onde te entre a luz
e o calor que te aqueça.

Amigo,
Recupera os teus sonhos
!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Era pouca, a terra!...

…era pouca a terra para tanta gente!…

Fiquei a matutar naquilo que me disse duma forma tão serena e com tanta sabedoria.
Por isso as pessoas se fizeram lutadoras; nada é por acaso, continuava o menino…

Possui muita terra agora, mas continua a ser o mesmo menino como se não tivesse terra nenhuma. Segue sem parar, perseguindo os seus sonhos, caminhante agarrado a um pau para se encostar, deixando transparecer uma inocência cândida do menino que foi.
E assim segue lutando.
Tal como formiga a carregar comida para o formigueiro, segue o menino, sem descansar, como se estivesse a lutar por um bocadinho de terra para que o pão chegue para o ano inteiro, para que possa matar a fome aos filhos.

… é demasiada a terra, agora!
Como?
Se a terra não cresce!!!

Diminuiu a gente, há enxadas a mais, há terras de sobra doentes…

Deseja tirar o sofrimento àquela terra. Ouve-lhe os lamentos e gritos de solidão que não são mais que os lamentos e gritos surdos que do seu peito saem, quando dela se aparta…

Um dia matarão a solidão os dois, ele e a terra e, aquele menino voltará a brincar com a fisga por aqueles campos e fraguedos, perseguindo sonhos , coração renascido, terra outra vez com dono.!...

sábado, 25 de julho de 2009

À espera de um sorriso

Espero.
Uma espera sem tempo,
passos que passam
sem quase passarem,
olhos que me olham
sem me verem,
braços que se movem,
sem me abraçarem.
Cansada desta espera,
quem espera desespera
e neste esperar,
nesta angústia que dói e desatina,
nesta solidão a que o relógio me destina,
na torre da igreja,
sem se importar,
sou…
empurrada, comprimida,
esmagada.
Páro, encosto
e, ao lado da multidão vejo um rosto,
o do menino
que mendiga
e me oferece
O sorriso.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Libertei as palavras


Desatei as palavras
e deitei-as a voar…

As palavras assim libertas
juntaram-se a uma nuvem branca,
nun poema.

Declamei o poema com vigor
para tu o ouvires,
para fazer sair da tua alma
um sorriso,
ainda que triste…

Mas não!
A tua alma não ouviu o meu poema,
mesmo em gotas duma nuvem…

Esboça um sorriso...
Quero ver os teus olhos a brilhar
ainda que seja com uma luz ténue,
como a luz de uma candeia
que com uma brisa
se possa apagar.

Apagou-se a luz...
Apagou-se o poema...

Procurei-o na noite…
mas o poema voltou para a nuvem branca
e, desiludido...
por falta do teu sorriso,
como uma estrela cadente,
…calou-se para sempre...



.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sem saberes a razão




Menina!
Lâminas penetraram o teu corpo íntimo,
houvem-se gritos de dor e morte.
Há sangue na terra vermelha,
derramado pelo teu corpo pequenino.
Quem sabe se a insensibilidade
que te impuseram com aquele golpe
não será o golpe de morte?
Ouço os gritos da menina,
ouço o desalento da mulher.
A cultura e o tribalismo,
a ignorância e o egoísmo
querem-te mulher submissa,
cumpridora do dever de mulher,
mas tu menina és menos mulher
desde que a tua mãe te entregou a carrascos,
facas cortantes, lâminas que castram, costuras,
no ritual de passagem.
Menina!
Menina, mulher mutilada,
não uses tu a bandeja,
não entregues o frutos das tuas sementes ao carrasco!
Menina tão pequenina, que poderás tu fazer?
Menina, mulher mutilada,
exige que a tua filha possa ser mulher!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Noite sem fim


Fugiram-me as estrelas
na palidez da lua.
Sustenho gritos de dor,
lamentos,
tenho o coração ferido,
partido.
Instalou-se a noite,
a noite fria.
O céu está vazio,
foram-se as estrelas
na palidez da lua.
Ficou a noite.
Levem-me esta noite,
tirem-me da escuridão,
eu morro de frio.
Os meus sonhos!
Devolvam-me os sonhos!
As minhas estrelas!
Devolvam-me as estrelas!
Ah, esta noite sem fim!…

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Danço-te


Danço-te…
Em valsa
Sala dourada
Leveza
Flutuando
Embalada
Danço-te…
Em tango
Paixão
Quando me empurras
Me afastas
Me puxas
E com o olhar
Sedução
Me bebes
Desejada
Danço-te…
No ritmo do samba
Quando vibro
Em movimento
Livre
Extasiada

Danço-te…

Que há para além...




Abro a minha paisagem
Passagem
Para além do agora
Porta aberta
Janela aberta
Silêncio
Aurora
Que há para além do rio
Feito de lágrimas
Dos justos
Que há para além do rio
Feito de favores
Dos corruptos
Que há para além do rio
Dos que morrem
Indefesos
Dos que vivem
Amordaçados
Dos que são
Injustiçados
Que há para além do meu rio
Feito de alegrias e penas
De sonhos
Feitos poemas
Em mim
Que conheço
E do que
Desconheço
Em mim...
que há para além...

domingo, 19 de julho de 2009

Os filhos que tu pariste

Carregas nos ombros,
um fardo que não pediste,
carregas na tua alcofa,
desdita que não pariste.

Curvada sobre ti mesma,
não dobrada na tua sina,
hás-de vencer a batalha,
hás-de vencer, destemida!

E vais-te livrar do fardo,
da vida que agora carregas,
da servidão, da fome
e da injustiça que renegas.

A enfrentar a multidão,
seguirás de punho em riste,
para da tua servidão
para sempre te libertares
e na alcofa só carregares,
os filhos que tu pariste.

sábado, 18 de julho de 2009

No meio de nada

Dores...
Dores de não te ter,
me trespassaram,...
dores de te ter e te perder,
me esvaziaram...
Caminho,
sem rumo,
sem destino e,
procuro-te...
no meio de nada:
Numa fonte,
no fundo dum copo
de bebida inacabada,
na flor a brir,
no orvalho da manhã,
na borra de café que secou,
no gin tónico que evaporou,
na lágrima que deslizou
e me inundou.
Procuro no fundo da minha essência,
algo me preecha este vazio...
...penosa ausência.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Falo de amor


Falo de amor
como quem compõe uma sonata
ou toca piano, dedilhando teclas.
Falo de amor
como quem toca guitarra
e lhe rouba sons
para uma serenata.

Falo de amor
como quem toca violino,
encostado ao ouvido,
junto ao coração;
vibração de cordas,
vibração de sentidos,
sons tristes, alegres,
sons que são gemidos,
melodia de amor,
dor, perda,paixão.

Falo de amor
como quem lê a partitura,
como quem rege a orquestra,
sempre em vibração;
melodias suaves,
sons que são loucura,
olhos que se olham,
movimentos,
cordas, teclas,
sopro, percussão.

Paleta cromática de letras


É nas tintas que mergulho
e esqueço
tempestades de areia
que me incendeiam os sentidos.
É em ti paleta de cores
da terra que piso
que me liberto e prossigo.
Ah tela branca
que me amedrontas
quando te penso,
és folha branca
em que me meto
e liberto!
Acerquem-se de mim
e libertas,
vivamos a vida,
esperança renascida.
É nas palavras que navego,
e luto
contra os uivos do vento
que me secam a pele,
me secam a boca,
me lançam
contra mim própria.
É nas tintas do poema,
nesta paleta de letras cromáticas
que me encontro,
amo, vivo
e me perco...

Paraísos celestes

Mergulho na música dos violinos…
O som dos violinos
faz-me esquecer o mundo;
por momentos deixo de existir.
Ausente, com aquela música divina
que me entra pelos ouvidos,
pelos poros e me arrepia,
faz-me caminhar
por mundos que desconheço,
por paraísos celestes.
Depois, os violinos esvaem-se
e quase que perecem
em sons de agonia,
e se despedem;
sons tão ténues,
quase imperceptíveis,
como que presos à vida
por uma linha de teia,
um fio de seda!…
Aos poucos ganham fôlego,
recomeçam e,
rapidamente o som se eleva
tão fortemente
que o meu corpo se agita,
o coração bate descompassado
e os violinos gritam,
choram,
gritam,
em desespero,
em delírio,
em euforia.

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