Acerca de mim

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Sintra/Miranda do Douro, Portugal
Gosto de pintar,de escrever e de fazer trabalhos manuais.Sou simples e verdadeira. Tenho que pôr paixão naquilo que faço, caso contrário fico com tédio. Ensinar, foi para mim uma paixão; escrever e pintar, continua a sê-lo. Sou sensível e sofro com as injustiças do Mundo. A minha primeira língua foi o Mirandês. Escrevo nessa língua no blog da minha aldeia Especiosa em, http://especiosameuamor.blogspot.com em Cachoneira de Letras de la Speciosa e no Froles mirandesas.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Pétalas

Floriu-me a rosa no peito
Floriu-me a rosa na mão
Caiu-me a rosa sem jeito
Pétalas espalhados no chão

Tirei os espinhos à rosa
Para ela não picar
Tirei o relógio ao tempo
Para o tempo não escapar

O relógio foi seguindo
E o tempo em seu andar
E a rosa desfolhada
Continuou a cheirar

E eu abracei o tempo
As pétalas, uma a uma apanhei
O tempo deu-me conselhos
Com as petalas eu medrei

Floriu-me a rosa na alma
E lancei um cravo ao vento
Cresceu-me a força no peito
Mais forte que é o tempo

E com essa força a medrar
Eu não me dou por vencida
E vendo a rosa a brotar
Eu corto os espinhos à vida

sábado, 25 de dezembro de 2010

Como me doi!!!

Sinto um cansaço terrível que me tolhe os passos.
Tenho os músculos com espasmos que me contraem os tendões.
Quero caminhar, mas esta inércia de vagalume gelado prende-me, os pés estão frios, a boca dormente, a língua presa.
Quero chamar-te mas tu não olhas para trás, não ouves. É que da minha boca sai uma brisa leve, tão leve, tão gasta e o som das minhas palavras que fica retido no meu peito, não chega a ti.
Quero lançar as palavras numa folha branca para ta mandar pelo vento, mas a tinta não adere, esguicha e mancha-me o vestido, mancha-me o corpo.
Quero compor uma melodia com o som das palavras que não saem, mas a pauta ficou desfeita num vendaval e as teclas do piano estão partidas.
Como me dói esta impotência, como me dói o tempo!
O tempo, sempre o tempo!...
O tempo que não tenho, o tempo que me mata, o tempo que há-de vir, sempre o tempo.
Tenho uma nuvem de poeira branca depositada pelo tempo, em cima dos ombros, no xaile negro. Soprei a poeira para com ela te mandar, em neblina, o aroma do meu corpo. A poeira petrificou e não fez neblina e eu tenho os ombros doridos, cansados.
Onde estás, condor de asas fortes para me levares para longe?
Onde estás tu, águia de bico forte, para me partires os pedragulhos que me imobilizam o corpo?
O condor não veio, a águia também não.
Luz difusa inundou-me o quarto e acordei do pesadelo.
Abri a janela, o veda luz e saudei o sol radioso que prometia um dia quente.
Saudei a vida, saudei o tempo, cantei!

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=84776#ixzz199fxE1FC
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Bebo em ti, palavra

Se vires que deixei de escrever vem ao meu encontro e alisa-me as rugosidades dos dedos, raspa a tortura que me assola a alma, sacia a fome que me nasce no corpo e me come gulosamente as palavras.

Se vires que deixei de escrever vem tirar para trás os lençóis que se me enrolaram ao corpo, múmia inerte que mexer não posso.

Se vires que deixei de escrever, retira o dique que me travou o rio que me corre nas veias, me queima os músculos, me rebenta a lava da paixão contida das palavras.

Escrevo com a força do inocente que se quer libertar das correntes que o sufocam.

Escrevo com a fúria do leão enjaulado por lhe terem tirado o sabor doce da savana e a frescura da floresta.

Escrevo com a candura do flamingo, em bandos, levantando voo do lago.

Escrevo com a sede de perdido no deserto, em miragens de oásis frescos.

Se vires que deixei de escreverr, não te molestes. Vai seguindo sempre as marcas dos meus pés varrendo o pó do chão, perdidos de cansaço. A seguir eu escreverei, como quem come e continua faminto, quem bebe e permanece sedento, quem se liberta e aprisiona, se emancipa e se prende, se encanta e desilude.

Escrevo, porque bebo de ti, palavra,...a minha sã loucura!
Tanto correu o rio das palavras sem que eu soubesse em que rocha, em que monte, brotava a nascente desse rio!...Tantos dias, tantos anos!

Tumultuoso, largou as rédeas, saiu das margens, correu desaustinado, formando aluviões onde cresciam poemas.

Abriram-se janelas na virtualidade dos tempos e o rio perdeu o norte, correu em ziguezagues, pulou montanhas, mudou o sentido da corrente, perdeu o rumo.

Houve um ponto em que lhe fiz sinal para parar como se dum autocarro de província se tratasse para nele estrar ou tão só para lhe fazer um cumprimento, um aperto de mão, um beijo. Não sei, já nem sei o que foi. Só sei que a partir desse encontro se me mostra em deliciosas palavras e segue com a serenidade do rio de planície, lançando frescura até a foz, rio sem pressas procurando enfim un oceano balanceante e sonhador.

Vão-lhe saindo as palavras arrastadas na corrente, carregadas umas vezes de espuma branca de algodão na leveza de um soriso, outras, de detritos arrancados à força às entranhas dum leito triste...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

No dia que era noite...

No dia em que te mostar a minha alma por dentro e te disser que tenho frio, abraça-me porque o frio tolhe-me,engole-me as palavras, congela-me vogais e consoantes e em vez de poemas faz crescer glaciares.

No dia em que te mirar com os olhos tristes, afaga-me o rosto, canta-me melodias ao ouvido com as tuas doces e sábias palavras, bem junto ao ouvido para que nenhum som se evada.
Depois, olha-te no espelho que os rios tristes dos meus olhos formam. Vê-te nele, e, nele verás o motivo da minha tristeza.

No dia em que me vires junto ao despenhadeiro na iminência de saltar no vazio dos sentimentos gastos, segura-me... Não me deixes tombar no túmulo dos meus dias sem sol, das minhas noites sem estrelas.

No dia em que me vires sem ter dentro de mim as andorinhas a esvoaçar, viajantes de outro trópico, mensageiras das flores, deita sobre mim um cântaro de água da fonte para que a minha pele esverdeça e nela me nasçam novamente lírios...

No dia que era noite...
Na Primavera que era Outono...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Lançamento do livro, Antre Monas i Sbolácios, na Escola Secundária de Gama Barros- Cacém
















Foi uma festa fantástica, a do lançamento do meu livro na escola onde ensinei durante vinte e sete anos, dedicando a uma causa os melhores anos da minha vida.
Foi acima de tudo uma festa de amizade e de afectos, porque a Gama Barros sempre foi uma escola onde as carreiras profissionais não colidiam com o respeito e amizade entre as pessoas.

Valeu a pena ter aos poucos envelhecido em tão digno lugar.
Obrigada a todos: Aos presentes e aos que por uma razão ou outra não puderam estar.

Lançamento do meu livro em Mirandês

O dr. Marco Almeida, Vereador da Câmara de Sintra escreveu:

Acredite que eu é que me sinto recompensado por ter tido de oportunidade de convosco ter estado.
Fiz questão de dar conta disso no meu blogue:
http://viver-sintra.blogspot.com/2010/12/poesia-em-mirandes.html
Cumprimentos.

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