Acerca de mim

A minha foto
Sintra/Miranda do Douro, Portugal
Gosto de pintar,de escrever e de fazer trabalhos manuais.Sou simples e verdadeira. Tenho que pôr paixão naquilo que faço, caso contrário fico com tédio. Ensinar, foi para mim uma paixão; escrever e pintar, continua a sê-lo. Sou sensível e sofro com as injustiças do Mundo. A minha primeira língua foi o Mirandês. Escrevo nessa língua no blog da minha aldeia Especiosa em, http://especiosameuamor.blogspot.com em Cachoneira de Letras de la Speciosa e no Froles mirandesas.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Morre, ignóbil ser!




Querendo matar
Morres sem saber!...

Com as tuas maldades
Ateias fogo
E ardes nas labaredas do ódio
Das tuas vinganças
E das tuas verdades.

Estás enrugado, bacilento
Oco, corroído por dentro
E há momentos
Em que sentes vergonha de ti.

Sim vergonha
Por escassos momentos.

Mas depressa lançarás
As flechas impregnadas
Do veneno do ódio e da vitória
E a ti próprio vencerás.

Justiça!...
Aqui sim, faz-se justiça!...
O teu inimigo sofre, mas não morre.
O alvo és tu
E és tu que vais perecendo.

Vives...
De alma suja e coração corroído
Pelo ódio que te vai comendo.

Como estames murchos, secas!...
Mataste o Outono
E sem passares o Verão e a Primavera
Vives soterrado no Inverno.

Em nome da tua honra e do teu ódio
Lazarento, vais morrendo.

Morre, ignóbil ser!...
Afoga-te nas tuas vinganças!...





terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ao Kubi, meu pai e guia profissional de Safaris




Kubi, Juan Morera Muntadas e equipa, em Moçambique. Era a equipa que com ele trabalhava, quando era caçador de crocodilos e que depois transitou para a Safrique.


Safari de Andrea Tronconi. Kubi e Anna Tronconi


O elefante só tinha um dente. Gigantesco como se pode ver.

Este era um elefante de Moçambique. Os dentes são mais arqueados do que os dos elefantes da República Centro Africana, que sendo mais longos e direitos, permitem que o animal penetre na floresta equatorial mais facilmente.

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Seu nome António Augusto Monteiro; entre os amigos passou a ser Kubitchek, devido ao Português abrasileirado que falava quando chegou à Beira.
Depois Kubi, por ser mais fácil e, sinceramente mais doce e musical.
Foi caçador de crocodilos e posteriormente guia de safaris.
Nesta actividade trabalhou na empresa de Francisco Salzone e na Safrique.
Em resultado de um ataque terrorista na pista de aviões do campamento de Inhamacala que vitimou uma figura importante de Espanha, o turismo cingético de Moçambique extinguiu-se. Os caçadores guia tiveram de partir para outros destinos cinegéticos.
Apaixonado e aventureiro com sempre foi, trabalhou várias épocas de caça na República Centro Africana e no Sudão.
Era um exímio contador de histórias e foi a ouvir as suas aventuras em África que os meus filhos cresceram e, tal como ele, aventureiros, corajosos, honestos.
O neto mais velho e eu ouvimo-lo naquela que foi a sua última tarde de narrativas das suas vivências no Sudão.
Quando penso nessa tarde sinto uma saudade imensa e um nó muito grande no peito, num misto de revolta e perda.
Poder-se-iam ter repetido essas histórias por mais tenpo se ele tivesse tido a assistência médica adequada e oportuna e por isso a dor é mais intensa.

Eu tive um pai
Caçador em África
Que tinha o coração
Do tamanho do mundo.
A contar histórias de safaris,
Escapou-me da mão
E voou!...
O espaço está vazio
Nesta mão inerte
Que não sou capaz de fechar.
Perdoa-me Deus,
Porque me privaste?
Eu tive um pai
Que amou
E me ensinou a amar África...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

AO KUBI - Meu pai e caçador de crocodilos




Foi caçador de Crocodilos. Caçava em pequenos barcos, nos rios Pungué e Zambeze, que na época das chuvas se transformavam em autênticos mares. Caçava ainda em zonas pantanosas empestadas de mosquitos. Teve uma vida difícil, perigosa, mas muito emocionante.
Participou como Duplo, nas cenas mais perigosas do filme, Adieu l´Afrique.
O Ricardo, o neto mais velho, meu filho que fez Erasmus em Pisa, terra natal do realizador Jacopetti, conseguiu arranjar uma cópia do filme que guardamos que nem uma relíquia.
Vimo-lo em família e para espanto de todos nós, ouvimos a sua voz e identificá-mo-lo perfeitamente numa das cenas.
Uma vez que nunca passou nos cinemas em Moçambique, nem ele nem eu tínhamos tido a oportunidade de o ver.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O Grito




Estou inerte
Tenho fome
Quero caminhar e não posso
Perdi as rotações
Com estilhaços de minas
Crateras de explosões

Já não ouço
O chilrear dos pássaros
Em sonhos trocados
Trocaram estações

Tenho os olhos enevoados
Com lágrimas de sangue
Das mães órfãs de filhos
Em fogos cruzados

Estou sequiosa
Em rios contaminados
Peixes sufocados

Espessos cabelos rapados
Pulmões em fumos colados
Sento-me... exausta
Quero caminhar e vacilo
O grito sai num gemido...

Mas eis que
Enraivecida
Me ergo
Grito a Gorak e então
Sismos tempestades vulcões
Incêndios degelos tufões
Bocifero inundo abano
Arraso queimo congelo
E bem alto gritando
De ódios perdida
Vingando
As destruições

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Silenciadas I e II




As mulheres, aqui e em todo o Mundo, de todas as culturas e níveis sociais, continuam de diversas formas a ser silenciadas.
Estas telas estiveram patentes ao público numa exposição designada "No Feminino", no Centro Cultural de Chaves e em Mirandela, na Casa da Cultura e no Hospital Distrital.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A Porquinha Miss - Conto infantil

Era uma porquinha diferente das restantes. Tinha graça, sensualidade e beleza.
A dona que queria que todas ficassem anafadas para fazer os enchidos, andava intrigada sem saber a razão pela qual ela não ganhava peso e estava cada vez mais esguia e esbelta.
Na pia, a pobrezinha escolhia só os legumes e comia-os às escondidas da mãe porca que a certa altura, vendo a magreza da filha, começou a pôr a hipótese de se tratar de anorexia.
Na camarata, mal ouvia os roncos da família, iniciava a sessão de ginástica e massagens, para que nada naquele corpinho, estivesse fora do sítio. A cirurgia plástica estava fora de hipótese, por falta de meios financeiros.
Desde criança que tinha o sonho de ser miss. Queria sair daquela pocilga malcheirosa, usar perfume francês, sapatos de salto alto e vestidos deslumbrantes.
E porque não Estrela de Cinema?
Numa noite de luar, fez as malas, apanhou o autocarro e partiu para a cidade Luz do Império.
Não tardou a ser notada pelos porcos citadinos e num estalar de dedos, foi coroada Miss do ano.
Como sempre acontece na coroação, borrou a pintura com as lágrimas de alegria e emoção. As felicitações das damas de honor ficaram-lhe marcadas no rosto, numa mistura de bâton e de cinismo.
Foi um ano hilariante. Muitos amigos, muitas festas, viagens, deslumbramentos !...
Muitas desilusões a seguir! ...
Quando pediu ajuda, os amigos viraram-lhe as costas. Aproveitaram-se dela enquanto brilhou e a seguir ostracizaram-na.
Não estava preparada e sofreu! ...
Determinada e conjugando todas as forças voltou às origens,com a certeza de que não voltaria à pocilga malcheirosa.
“Que importa se não tenho perfume francês e banho de espuma, se tenho um riacho de águas transparentes e me perfumo com alecrim, urze e tomilho”?
“Não, não volto para aquela pocilga!... Nem por sombras, ponho a hipótese de me sujeitar à humilhação de acabar no fumeiro”!
Tornou-se uma jovem equilibrada e feliz. Subia montes e vales e por fazer uma alimentação saudável, deixou de se preocupar com as gorduras em excesso.
Apaixonou-se por um porco bravio, amante do desporto e tal como ela, com um grande sentido de liberdade.
Foi uma mãe exemplar e, protegendo os filhos de todos os perigos, transmitiu-lhes os valores de honestidade, respeito, tolerância.

Foi feliz.

Pintor


Tu que pintas sonhos
Poemas e abraços
Pinta a paz ao mundo
Desfeito em pedaços

Vais pôr nessa tela
Amor e esperança
Almas cristalinas
Sem ódio e vingança

Porás também pão
Justiça irmandade
Casa para todos
Amor lealdade

Com restos de tinta
Das tuas ilusões
Pinta, pinta, pinta...
Pinta corações



domingo, 11 de janeiro de 2009

Sons de Embalar


Um dia contarei ao meus netos, tal como já contei aos meus filhos, histórias mágicas, que, recriadas e reinventadas, os farão adormecer e sonhar com um país mágico e uma cidade divina.
Na sua mente de meninos ficará o sussurro de uma avó, que os levará em viagens maravilhosas.
Brincarão nos tandos dourados, onde correrão atrás de gazelas saltitantes e zebras velozes.
Serão caçadores e enfrentarão, no meio da floresta, manadas de elefantes.
Com arco e flecha tornar-se-ão guerreiros e perseguirão leões e leopardos.
Já cansados, e nas asas de uma ave, do tamanho de um colibri, irão sobrevoar mares transparentes e avistarão ilhas magníficas.
Já sem fôlego, a ave plana e eles sentem o cheiro da maresia mais perto e mais acentuado.
Pedem-lhe que os leve àquela ilha verde, de beleza incomparável.
Querem correr naquele areal sem fim!...
Ouvem uma voz que já conhecem e muito meiga: "Meninos, está na hora de acordar, seus dorminhocos"!
E vão!
Em breve estarão no infantário ou na escola, onde terão a aventura da aprendizagem.
À noite ouvirão outra história fantástica que os levará ainda mais longe....
Crescerão bondosos, felizes, criativos...
Um dia contarão aos filhos, aos netos, bisnetos......

Simplesmente Casa


Ó malditos deuses,porque mandais raios que incendeiam as florestas?
Ó fogo que tantas vezes tentaste penetrar nos meus ramos, sem nunca o conseguires, porque insististe?
Ó vento que tantas vezes embalaste os meus rebentos e refrescaste as minhas entranhas, em dias de calor escaldante,porque me traíste?
Os deuses enlouqueceram, o vento aliou-se-lhes, forte, forte, cada vez mais forte! …
Arrastava as labaredas que voavam de árvore para árvore e depressa me atingiram.
É o meu fim, pensei.
Este fogo vai consumir-me e este maldito vento vai arrastar consigo as minhas cinzas para outros lugares distantes, frios, feios, gelados! ...
Não!
Não conseguiste!
Comeste as folhas e os meus ramos mais tenros, mataste os passarinhos que abrigava, queimaste-me muitas energias, mas não me tiraste a força de viver.
Os meus troncos e as minhas raízes fortes enfrentaram-te e venceram-te e depressa terei ramos, terei folhas, terei pássaros, terei força, beleza e alegria.
Irei morrer de pé, com aquele orgulho que só pode ter uma árvore secular, que abrigou insectos nas folhas, pássaros nos ramos e famílias pobres no tronco que com os pés gretados a sangrar, vagueavam pelo mundo à procura de um abrigo, de um lar.
Famílias que finalmente poderiam descansar, sentindo-se aconchegadas e acarinhadas.
Nunca mais teriam medo dos deuses, do fogo, do vento, de nada! ...Pela primeira vez achei que poderia descansar e que os meus ramos tenros poderiam murchar.
Pela primeira vez deixei de amaldiçoar os deuses, o fogo e o vento que tantas vezes tentaram roubar-me a vida.
Pela primeira vez achei que poderia ser menos bela, porque nas minhas entranhas tinha amigos que achariam que mantinha o mesmo encanto, porque era solidária e fraterna.
Pela primeira vez achei que em vez de árvore, poderia ser simplesmente casa! ...

sábado, 10 de janeiro de 2009

Deixo-te



Noites mal dormidas
Feriados inquietos
Paixões desmedidas
Mas deixo-te…

Como se deixa alguém
Que se ama
E nos faz sofrer

Contigo cometi incesto
Minha amante
Minha irmã
Contigo tive filhos
Que amei quase tanto
Quanto os meus

Mas deixo-te…
E deixo-te com dor…

Tu sabes…

Cirurgiões incompetentes
Arrancaram-me de ti
Numa cirurgia
Sem anestesia

E assim deixo-te…
Minha profissão
Meu amor…

Esperança I e II





Tentação Cósmica


Acordes do meu Silêncio


A nossa Caminhada


Caminhámos
Em jardins floridos
Em beijos sentidos
Com promessas sem fim
De amores proibidos

Caminhámos...
Por avenidas
Com acácias flamejantes
Por veredas rochosas
Com espinhos penetrantes
…Mas caminhámos
E caminhámos depressa!...


As tuas sementes
No meu ventre germinaram
E com gritos de dor
Dele brotaram
Rebentos de amor

Ao caminhar, corremos
E amámo-nos à pressa
Entre choros de crianças
E deveres por cumprir
Imensidões percorremos

Amámo-nos com paixão
Num compasso de gemidos
De corpos suados
De paixões escaldantes
Em prazeres merecidos

Caminhamos com a serenidade
Dos deveres cumpridos
E amamo-nos
Em corpos apetecidos
Tantas vezes doridos

Nesta longa caminhada
Voltaremos a meninos
Corpos entorpecidos
E em jogos imaginários
De pião e da apanhada
Com voz trémula
Te direi
Que quero ser
Tua namorada

Por jardins etéreos
De mãos dadas
Seguiremos…
A nossa Caminhada!...

Censurados

"Nuvens de paixão"



Foram retirados de uma Exposição em Mirandela, em Agosto de 2005, pela Vereadora da Educação da Câmara de Mirandela, porque, segundo ela, seriam um atentado ao pudor.
Em seguida desmontei a exposição, por sentir que me tinham desrespeitado e tinham desrespeitado o meu trabalho.



"Sedução"









As tuas mãos

As tuas mãos são vida
Ásperas, gretadas, queimadas
Se tornaram macias
Para me ajudar a nascer


As tuas mãos são magia
Do nada fazendo tudo
Pondo na boca dos filhos
O pão que não têm, para comer


As tuas mãos são carícias
Mesmo que feitas à pressa
Porque depressa tu vives
Sempre, sempre a correr


As tuas mãos são poemas
Que declamas sem saber
Com sensibilidade e força
A força que te faz vencer


As tuas mãos são trabalho
Tanto, tanto e tão diverso
Que as tuas mãos não têm
Tempo para viver


As tuas mãos são tudo.
Nas tuas mãos está tudo, mulher!

Mulher


Lavra
Semeia
Ceifa
Cria
Cansa-se...
Não se pode cansar


Lava
Cozinha
Limpa
Cria
Cansa-se...
Não pode parar


Deita-se
Dorme
Embala
Cria
Cansa-se...
Só quer descansar

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Se...


Se a minha boca encontrasse a tua
Quando a desejo beijar
Se os meus braços encontrassem os teus
Quando os desejo abraçar

Se as minhas dores encontrassem as tuas
Quando as desejo sarar
Se o meu caminho encontrasse o teu
Quando vou a caminhar

Caminho a minha vida
Sedenta de beijos e abraços
Sou um barco sem guarida
Que quase em pedaços
Procura um porto
Para ancorar

Um porto,
Onde os lábios se encontrassem
Onde os braços se abraçassem
E as dores sarassem
Onde as almas se fundissem
E não parassem de se amar

Leva-me contigo

Leva-me contigo
Nas asas do vento
Na brisa do mar
Amante
Amigo
Leva-me contigo
Eu quero voar

Nas asas de um sonho
Liberta-me
Em nuvens de algodão
Aconchega-me

Com as tuas mãos
Acaricia-me
No teu corpo
Aquece-me

Com os teus beijos
Sufoca-me
Com os teus abraços
Aperta-me

E na cauda do cometa
Já noutras galáxias
Faz-me explodir
De paixão

Quisera ser

"À procura de mim"


Poeta não sou
Arranco às minhas entranhas
As palavras que não saem
Que me fogem

Pintor não sou
Pinto telas imaginárias
Com paleta de cores
Que se esvaem

Quisera eu ser poeta
Quisera eu ser pintor
Escrever telas
Pintar poemas
Escrever o mundo
E pintá-lo, e escrevê-lo
Tanto, tanto…
Nós
A humanidade
Com mil cores!

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