Acerca de mim

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Sintra/Miranda do Douro, Portugal
Gosto de pintar,de escrever e de fazer trabalhos manuais.Sou simples e verdadeira. Tenho que pôr paixão naquilo que faço, caso contrário fico com tédio. Ensinar, foi para mim uma paixão; escrever e pintar, continua a sê-lo. Sou sensível e sofro com as injustiças do Mundo. A minha primeira língua foi o Mirandês. Escrevo nessa língua no blog da minha aldeia Especiosa em, http://especiosameuamor.blogspot.com em Cachoneira de Letras de la Speciosa e no Froles mirandesas.

quarta-feira, 13 de março de 2019




Na inquietude
 
Leva-me às veredas
onde ainda a saudade me caiba,
às fontes onde à sede me bondem,
ao açude onde à loucura
me seja espelho.
Há céus que não me chegam
ao desejo de voar
e há caminhos que me sobram
à pressa de caminhar.
 
Leva-me ao ponto
em que as asas me nasciam,
deixa-me planar como papagaio
em mão inocente,
deixa-me ficar
na quietude dos regressos...
 
Na inquietude ,
onde os desejos se me fazem
aves de arribação
acontece-me por vezes
um voo frustrado
não por falta do balanço certo
mas talvez por falta de horizonte
onde a rota caiba.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Um Olhar




Era fim de tarde no meu olhar,

olhar de contemplação e espera.

Fim de tarde de dias longos,

de sol lânguido,

de pôr-do-sol lento e sedutor.

Bastaria um leve pestanejar  

para que as folhas se agitassem no meu olhar.

 Espreito a quietude e entro nela.

O entardecer abraça os meus pensamentos,

a noite a deixar-se cair lentamente

 beija as minhas loucuras.

Era fim de tarde no meu olhar

e foi assim que em ti me detive.

Desci  dele lentamente

como quem quer ver mais perto,

planei, e, logo que vi com nitidez

os contornos do teu corpo,

como que em voo picado e

águia com golpe certeiro à presa,

lancei-me sobre os teus perfumes e,

com um estremeção os pensamentos

em que me tinha detido despertaram,

e ali estava eu a fitar-te com enlevo,

a sorver cada momento.

Então sentii que no meu olhar

Já não morava o fim de tarde.

Como horta regada, era manhã. 







UN MIRAR (mirandés)




Era fin de tarde ne l miu mirar,

mirar de ouserbaçon i spera.  

Fin de tarde de dies lhargos,

de sol abatido,

de çponer debagaroso i atiradiço.

Bundarie un lebe piçtanhar

para que las fuolhas se alborotássen ne l miu mirar.

Spreito la medorra i entro neilha.

L antardecer abraça ls mius pensares,

la nuite a deixar-se cair a pouco 

beisa las mies chocheiras.

Era fin de tarde ne l miu mirar

i fui nel que me ambaí.

Abaixei del debagarico cumo quien quier ber

de mais acerca, suberti, i,

assi que bi cun clareza ls lhemites

de l tou cuorpo, cumo an bolo relhistro

i águila certeira a la caça,

botei-me subre ls tous cheiros 
i, cun un stremeçon

ls pensares adonde m´habie ambarado spertórun

i alhá staba you ancandilada a mirar-te,

a sorber sfregante a sfregante.

 Fui assi que bi que ne l miu mirar

yá nun moraba la fin de tarde.

Cumo huorta regada, era manhana.

sábado, 14 de abril de 2018

Circuito pela Grécia e Cruzeiro por Ilhas gregas

Foi uma boa opção de marcação de férias, com começo no dia 13. Setembro teve temperaturas altas e há muito menos enchente nas visitas programadas. Mesmo assim as guias marcavam a hora de despertar muito cedo, a maior parte das vezes na ordem de seis e meia a sete horas.
Na parte continental tivemos a Helena como guia. Excelente guia e muito simpática. Mulher madura. À  excepção do intervalo da sesta de fim de almoço, para descansarmos um pouco e dormir quem fosse capaz,  passava o tempo das deslocações a explicar tudo e claro, com muita mitologia à mistura.
O primeiro dia, cada um por si, foi passado em Atenas, cuja primeira abordagem foi do terraço do Hotel Stanley, com vistas a trezentos e sessenta graus e situado Junto à Praça Ícaro, muito central, diga-se, embora os quartos não fossem de grande qualidade.

À primeira impressão a cidade não nos agradou. Achámos de lá do nono andar que seria uma cidade muito compacta e pouco atractiva. Quando a sentimos com os pés no chão e mais tarde em percurso turístico para assentar ideias de localização, mudámos de opinião. Na verdade trata-se duma cidade que circunda na totalidade a Acrópole, de prédios baixos, daí a sua extensão, de bairros comerciais de ruas estreitas onde se pode encontrar tudo quanto se possa imaginar, o bairro Kolonaki, muitas lojinhas, muitas ourivesarias, muito tudo. À noite uma caminhada pela cidade é sempre indispensável para assentar orientações.

Uma visita guiada à Acrópole com toda a sua história e mitologia, assistir ao render da guarda em frente ao Parlamento na Praça Sintagma que para além de tudo nunca esquecerei pelo trambolhão que dei. Visita a museus de arte. Depois, partida para as ilhas, nem sei qual mais interessante quer pela paisagem, pelo mar , quer pela riqueza histórica. regresso e passeios a pé sentindo a cidade. No regresso das ilhas passámos novamente um dia em Atenas com projecto livre e cada um por si, sentimos a cidade e fizemos a despedida.

Adorei esta viagem. Uma semana pelo Peleponeso, com especial referência aos mosteiros no cimo de rochas altíssimas, ( os Mosteiros de Meteora) próximo de Calambaca. Olímpia e muito próximo o local onde nasceram e se realizaram os primeiros jogos olímpicos.

A outra semana em Cruzeiro, visitando seis ou sete ilhas e uma pequena cidade costeira na Turquia e daí, visita a Éfeso com deslocação em autocarro.

Uma brevíssima descrição pois estou a fazê-la, quase quatro anos mais tarde e sem qualquer cábula, o que denota insuficiencia na descrição.

Muitas outras se seguiram, felizmente, mas, nunca tive o hábito de as descrever em publicações. A última foi por nossa conta e com carro alugado para as deslocações. Em quinze dias visitámos Montenegro, a Croácia, Trieste, Eslovénia e Bósnia. Foi fantástica e correu muito bem. Não vou descrevê-la mas se me pedirem poderei fornecer o itenerário e locais visitados. Adorei tudo. Trieste, em Itália, esse pequeno pedaço que não conhecíamos, é absolutamente imponente.

Enfim, é preciso rentabilizar o tempo pois a vida é curta...






segunda-feira, 26 de março de 2018

Os poemas que não disse



De súbito dobraste a curva do caminho
e surgiste como orvalho sobre amoras.
No meu peito esvoaçaram os pássaros,
encheu-se então de gestos,
as mãos de palavras,
a boca de flores.
Queria tanto que acelerasses o passo
para depressa te sussurrar poemas!
Quando a terra me tremeu
debaixo dos grãos de areia
que dos teus pés se soltavam,
emudeci,
as mãos esqueceram os gestos,
os pássaros voaram para fora do peito
e foi então que de súbito
tu colheste as flores da minha boca
e eu me fiz obreira.
Sobraram os poemas,
soltaram-se os gestos,
a manhã secou o orvalho
e junto à berma do caminho de ninguém
perdurou o aroma doce a amoras
e a flores silvestres.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Chegada e espera

 Dói a espera.
 Nem sei se o que dói é a espera
 se é o medo
 de não ter por que esperar.


 Num banco de jardim sentado
 espera o dia saturado
 de pardacento ser noite
 sem horas de noite ser.

 Chega a noite,
 chora o dia
 sem saber o que fazer
 pois que o dia já foi noite
 e a noite,
não deixou o dia ser.

 Dói a espera
 disse a Lua
no seu estado de mingar
 dando voltas e mais voltas,
 sentindo saudades loucas
 da noite, por ela a esperar.

 E quando chega a lua
 com a pontinha a brotar
 diz o dia:
 que afortunada é a noite
 que sendo noite
 às vezes parece dia,
 com poetas para inspirar.

 Espera o dia, outro dia,
 espera a noite e outra chega,
 espera a lua, a luz de volta,
 a vida é chegada e espera.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Se não tivesses bebido água noutras fontes,
a tua fonte estaria mais límpida, andorinha! 
O teu beiral estaria mais caiado 
para te receber 
sempre que em cada primavera 
quisesses retocar
os rombos do teu ninho
que sempre a chuva dos invernos
faz no barro amolecido.
Passa agora em voos rasantes
à tona da água
para que o vento das tuas asas
leve as folhas secas que flutuam
e na tua fonte reapareçam,
céu azul e nuvens brancas.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Lembranças poídas



Há as paredes negras
a lembrarem dias
noites com candeia
camuflando vincos
traçados nas vidas

Há a mão ágil
tecendo a meia
e sempre fazendo
os fios da vida
com que vai tecendo

Há o armário enfeitado
com papeis recortados
de jornais não lidos.
Amareleceu-os o tempo
o tempo e o fumo
dos manjares não servidos

Servidos na malga
e num prato
onde todos jejuavam.
Servidos nos campos
em suores amargos
com que se deleitavam

Há o lavatório
à entrada da casa
onde passam mãos
lavadas à pressa
fervendo em brasa

Há a criança
a chorar
nas costas cansadas
e há a fome a minar
em ventres meninos
há a lágrima a secar
no rosto da mãe
esticando vestidos;
e abaixa a baínha
e cose os rasgões
vira o tecido
vira o colarinho
e muda os botões


Muda, muda e troca
de vestido, a saia

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