Levadas as sedas pelo tempo
Sulcada a pele que as cobria
Basta-me sem um lamento
A água a correr menos fria
No rio onde navego, leve
As margens amparam o espelho
Onde me olho tranquila
As dores seguram o leito
Fecundado pela vida
Num viver de quem se atreve
Nascem flores nas suas margens
Freixos, silvas e salgueiros
Onde seguro as imagens
De sonhos sempre primeiros
Para que em sonhos me eleve
Deixou-me o tempo o encanto
Tecido na minha essência
Deixou-me o tempo um recanto
Com um punhado de inocência
Para que a meninice preserve
Acerca de mim

- Adelaide Monteiro
- Sintra/Miranda do Douro, Portugal
- Gosto de pintar,de escrever e de fazer trabalhos manuais.Sou simples e verdadeira. Tenho que pôr paixão naquilo que faço, caso contrário fico com tédio. Ensinar, foi para mim uma paixão; escrever e pintar, continua a sê-lo. Sou sensível e sofro com as injustiças do Mundo. A minha primeira língua foi o Mirandês. Escrevo nessa língua no blog da minha aldeia Especiosa em, http://especiosameuamor.blogspot.com em Cachoneira de Letras de la Speciosa e no Froles mirandesas.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
sábado, 15 de janeiro de 2011
Dói-me
Dói-me a saudade
Do tempo
Em que as minhas pernas
Eram rebentos
Os meus braços madressilva
O meu corpo formigueiro
A minha alma macia.
Dos teus olhos
A despirem-me
Em pleno dia
Dói-me a saudade
Do decote
Resguardando os seios
E a seda que os tecia.
Da saia interior de cetim
A refrescar o pulsar
Dum corpo que te pedia
Dói-me a saudade
Do tempo
Em que as letras da saudade
Eu nem sequer conhecia
Do tempo
Em que as minhas pernas
Eram rebentos
Os meus braços madressilva
O meu corpo formigueiro
A minha alma macia.
Dos teus olhos
A despirem-me
Em pleno dia
Dói-me a saudade
Do decote
Resguardando os seios
E a seda que os tecia.
Da saia interior de cetim
A refrescar o pulsar
Dum corpo que te pedia
Dói-me a saudade
Do tempo
Em que as letras da saudade
Eu nem sequer conhecia
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Oswaldo Montenegro - Metade
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
E a outra metade um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
E a outra metade não sei
Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é a canção
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
Oswaldo Montenegro - Se Puder Sem Medo
Se Puder Sem Medo
Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo
Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio
Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço
Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
Pra dizer te vendo ir fechando atrás da porta
Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa
Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso
Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência
Deixa a minha insanidade é tudo que me resta
Deixa eu por à prova toda minha resistência
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor ao menor vento oscila
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa
Deixa um último recado na casa vizinha
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava
Oswaldo Montenegro
Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo
Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio
Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço
Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
Pra dizer te vendo ir fechando atrás da porta
Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa
Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso
Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência
Deixa a minha insanidade é tudo que me resta
Deixa eu por à prova toda minha resistência
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor ao menor vento oscila
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa
Deixa um último recado na casa vizinha
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava
Oswaldo Montenegro
Com o vento
Voltei com um vento agreste
a procurar o doce cheiro
que um dia me ofereceste.
Detive-me nos lameiros
nos rios e nos cabeços
e foi lá que encontrei
esse almejado cheiro.
Nunca alguém mo ofertou!
Se calhar nunca passou
com febre, de um vão delírio
ou quimera que findou.
Tenho-o impregnado na pele
procurá-lo não preciso...
É cheiro a flores
nascidas livres com a lua
É cheiro a ervas crescidas
como eu cresci na rua.
É cheiro a terra molhada
a trigo, a feno e a palha
a fome, a trabalho, a enxada
a suor
com que o campo se regava.
Chega-me agora em saudade
em retratos descorados.
Das portas chegam-me os cheiros
dos bancos abandonados.
O cheiro que me vem agora
sai de dentro da televisão
já não me chega das cozinhas
em amistoso serão.
Cheira-me a fome e a sede
sem ser de água ou de pão
cheira-me a falta de afectos,
de solidariedade e união.
Depois,
quando peço ao vento
que me transporte, ligeiro
no meu corpo
nem sempre encontro
aquele que foi o meu cheiro.
a procurar o doce cheiro
que um dia me ofereceste.
Detive-me nos lameiros
nos rios e nos cabeços
e foi lá que encontrei
esse almejado cheiro.
Nunca alguém mo ofertou!
Se calhar nunca passou
com febre, de um vão delírio
ou quimera que findou.
Tenho-o impregnado na pele
procurá-lo não preciso...
É cheiro a flores
nascidas livres com a lua
É cheiro a ervas crescidas
como eu cresci na rua.
É cheiro a terra molhada
a trigo, a feno e a palha
a fome, a trabalho, a enxada
a suor
com que o campo se regava.
Chega-me agora em saudade
em retratos descorados.
Das portas chegam-me os cheiros
dos bancos abandonados.
O cheiro que me vem agora
sai de dentro da televisão
já não me chega das cozinhas
em amistoso serão.
Cheira-me a fome e a sede
sem ser de água ou de pão
cheira-me a falta de afectos,
de solidariedade e união.
Depois,
quando peço ao vento
que me transporte, ligeiro
no meu corpo
nem sempre encontro
aquele que foi o meu cheiro.
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No rio dos lírios
Serenidade
Quero ser pedra
polida
num rio
correndo sereno
no aluvião do leito
polida
num rio
correndo sereno
no aluvião do leito
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No rio dos lírios
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Foi
Foi para ti
que rasguei o vento
roubei da chuva a frescura
sustive o ar e o tempo
superei a flor em doçura
e me perdi
que rasguei o vento
roubei da chuva a frescura
sustive o ar e o tempo
superei a flor em doçura
e me perdi
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No rio dos lírios
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
na aridez dum leito
Sei dum rio
da sede nascido
nos vales ardentes
que quando bebiam
mais sede sentiam.
As sedes ficaram
e secaram o rio.
da sede nascido
nos vales ardentes
que quando bebiam
mais sede sentiam.
As sedes ficaram
e secaram o rio.
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No rio dos lírios
sábado, 1 de janeiro de 2011
Na macieza
Dou-te um verso
não para que completes
o poema
mas tão só
para que nele deites
a tua mão de seda
não para que completes
o poema
mas tão só
para que nele deites
a tua mão de seda
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No rio dos lírios
O começo de uma viagem virtual
Faz hoje dois anos que publico poemas na internete.
O primeiro, no site Luso Poemas, precisamente no dia un de Janeiro de 2009, escrito nesse mesmo dia.
Depois criei este bloque e logo a seguir o Cuontas i Nobidades de la Speciosa.
Aqui deixo esse poema.
De azul me pintaste
De azul me pintaste
Tão forte era a tinta
Do lápis azul
Que me amordaçaste
Tão forte era o lápis
Da tinta azul
Que a minha alma vincaste
E com vincos profundos
Me transformaste
Os vincos e manchas
Com lágrimas esfreguei
Tão fortes e tantos
Em dolorosos prantos
As lágrimas esgotei
De zul me pintaste...
O primeiro, no site Luso Poemas, precisamente no dia un de Janeiro de 2009, escrito nesse mesmo dia.
Depois criei este bloque e logo a seguir o Cuontas i Nobidades de la Speciosa.
Aqui deixo esse poema.
De azul me pintaste
De azul me pintaste
Tão forte era a tinta
Do lápis azul
Que me amordaçaste
Tão forte era o lápis
Da tinta azul
Que a minha alma vincaste
E com vincos profundos
Me transformaste
Os vincos e manchas
Com lágrimas esfreguei
Tão fortes e tantos
Em dolorosos prantos
As lágrimas esgotei
De zul me pintaste...
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